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Incidência política e protagonismo de jovens com HIV/Aids são discutidos em encontro nacional de ativistas em Pernambuco

15 Julho 2015
Anna Cunha na abertura do VII Encontro Nacional da RNJVHA

Entre 09 e 12 de julho, Recife (PE) sediou o VII Encontro Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids, que reuniu cerca de 70 jovens das cinco regiões do Brasil para discutir o “protagonismo juvenil na luta contra a aids” e as políticas públicas voltadas para a juventude que vive com o vírus e a doença. Com o tema “Tempo de Recomeçar”, o encontro que marcou a adesão de novos(as) membros na Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV/Aids (RNJVHA), reafirma que, com os investimentos certos, a juventude contribui de forma fundamental para as melhorias políticas, sociais e econômicas do Brasil.

O evento contou com apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV) do Ministério da Saúde, do UNFPA, Fundo de População das Nações Unidas e de outros organismos do Sistema ONU no Brasil (UNESCO, UNICEF e UNAIDS), além de gestores(as) municipais e lideranças da sociedade civil. Fábio Mesquita, Diretor do DDAHV, esteve presente e falou sobre o fortalecimento das novas experiências e tecnologias adquiridas no tratamento de pessoas vivendo com HIV/Aids, a importância da juventude na estratégia para a discussão da agenda em âmbito nacional e ainda destacou o controle da epidemia baseada na meta 90-90-90: 90% das pessoas vivendo com HIV conhecendo seu estado sorológico, 90% das pessoas diagnosticadas em tratamento e 90% das pessoas em tratamento com carga viral indetectável.

Anna Cunha, Oficial de Programa do UNFPA, enfatizou como o trabalho do Fundo de População dialoga com os objetivos da atividade e da Rede, relembrando ainda que esta é a agência da ONU que tem “trabalhado com foco no acesso universal à saúde sexual e à saúde reprodutiva e na garantia dos direitos de mulheres, adolescentes e jovens – com ênfase na promoção dos direitos humanos, igualdade de gênero e raça, levando em conta as dinâmicas populacionais”.
 

Para Diego Callisto, membro da RNJVHA e um dos organizadores do evento, o encontrou reforça o compromisso dos/das jovens em trabalhar a pauta e a importância disso para o ativismo em HIV/Aids. “O encontro marcou também a participação das trans nos espaços representativos. Os/as participantes aprenderam termos desconhecidos e compreenderam melhor como o protagonismo juvenil é fundamental para conter o avanço da epidemia em jovens, público mais afetado pelos novos casos segundo o boletim epidemiológico”. Desde os 18 anos, o jovem tem sido um ativista em prol dos direitos humanos, focado na defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids e também nos direitos sexuais e reprodutivos da juventude (confira entrevista concedida pelo mineiro de 26 anos ao UNFPA em 2014).

O UNFPA participou também de painel sobre situação atual da população jovem no mundo – com ênfase em dados sobre juventude e HIV/Aids divulgados no relatório “O Poder de 1,8 bilhão: adolescentes, jovens e a transformação do futuro” – e facilitou intervenção “Meu corpo, meus direitos”, durante a qual, por uma hora, as e os jovens puderam participar de uma dinâmica desenhando o corpo, símbolos ou palavras que representassem detalhes da aparência externa, seguindo-se uma roda de conversa sobre o conceito de corpo além de organismo biológico, das pluralidades e diversidades e a importância de valorizar as dimensões afetivas e sociais da educação e da atenção à saúde, incluindo à saúde sexual e reprodutiva da população adolescente e jovem.

Dentre os principais pontos apresentados estiveram o controle social para questões de HIV/Aids no Sistema Único de Saúde (SUS); políticas públicas para a juventude, com enfoque no direito à saúde; o fortalecimento das bases de atuação da Rede Nacional nos âmbitos local e regional; entre outros. Ao final do encontro foi construída uma carta política, surgida das propostas levantas nos grupos de trabalhos, que irá nortear as ações e trabalhos nos próximos dois anos da Rede Nacional.

Texto de Midiã Santana/UNFPA Brasil, com contribuições de Jennifer Gonçalves/ (UNFPA Brasil) e da Ascom DDAHV. Fotos: Renato Oliveira/Ascom DDAHV