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UNFPA capacita profissionais da assistência social de Boa Vista para atuação com refugiados e migrantes

Trabalho realizado por meio de oficinas buscou fortalecer a capacidade institucional de proteção para sobreviventes de violência

Por Pedro Sibahi

 

No contexto do deslocamento forçado, a violência baseada em gênero ganha contornos que tornam a questão ainda mais delicada. São situações que envolvem a violação de direitos e dignidade, mas que podem ser agravadas por estigmas e preconceitos que muitas vezes afligem a população refugiada e migrante. 

Com o objetivo de fortalecer as capacidades institucionais da assistência social em Boa Vista, com um olhar diferenciado para as pessoas em situação de deslocamento forçado, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), organizou nos dias 18 e 25 de junho, oficinas com os profissionais atuantes nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e nos Centros de Referência Especializado da Assistência Social da capital roraimense. Realizado no âmbito do projeto LEAP, financiado pela embaixada de Luxemburgo, o evento contou com o apoio do ACNUR, ONU Mulheres e do Tribunal de Justiça de Roraima, em parceria com a Secretaria Municipal de Gestão Social de Boa Vista, que gere os CRAS e CREAS. 

Contando com aproximadamente 30 trabalhadoras e trabalhadores da assistência social em cada encontro, as atividades buscaram promover a reflexão sobre questões de gênero e violência baseada em gênero em contextos de deslocamento forçado, buscando enfatizar a importância da rede de proteção às pessoas sobreviventes. Foram abordados os mecanismos legais e dispositivos existentes em Boa Vista para os casos de violência, com ênfase no acolhimento e proteção das sobreviventes, visando fortalecer e articular os dispositivos já existentes.


Foto: © UNFPA Brasil/Pedro Sibahi

Os encontros também estimularam a reflexão sobre o papel da rede sócio-assistencial de Boa Vista, o funcionamento dos serviços existentes, e a atuação dos profissionais que atendem mulheres, crianças, adolescentes e LGBTIs migrantes e refugiadas, vítimas de violência no contexto migratório.

“Com essas oficinas, esperamos uma aproximação dos atores da Rede sócio-assistencial de Boa Vista e atores humanitários para os casos de proteção relacionados à violência baseada em gênero. Também temos como objetivo a pactuação de fluxos de comunicação e micro-redes de proteção entre atores dos CRAS e CREAS e atores humanitários para os casos de violência, além de promover uma aproximação maior desses atores com a temática dos direitos humanos”, afirmou Igo Martini, oficial de projetos e chefe de escritório do UNFPA em Roraima.