Emergências e resposta humanitária

Foto: UNFPA Brasil/Erick Dau

Durante conflitos, desastres naturais, deslocamento forçado e outras crises, mulheres e meninas são as mais afetadas em contextos de emergência. A saúde sexual e reprodutiva pode acabar negligenciada, com consequências graves e risco de morte. Mulheres grávidas com complicações que colocam em risco a vida podem acabar sem atendimento. Mulheres e meninas podem acabar sem garantia de acesso ao planejamento da vida reprodutiva, ficando expostas a gravidezes não desejadas e em condições perigosas.

Durante conflitos, desastres naturais, deslocamento forçado e outras crises, mulheres e meninas são as mais afetadas em contextos de emergência. A saúde sexual e reprodutiva pode acabar negligenciada, com consequências graves e risco de morte. Mulheres grávidas com complicações que colocam em risco a vida podem acabar sem atendimento. Mulheres e meninas podem acabar sem garantia de acesso ao planejamento da vida reprodutiva, ficando expostas a gravidezes não desejadas e em condições perigosas. Mulheres, LGBTI pessoas jovens também ficam mais vulneráveis a violência baseada em gênero, violência e exploração sexual, infecção por HIV, tráfico humano ou coagidas a trabalho forçado através do uso da violência ou intimidação.  Além disso, as necessidades de higiene de mulheres e meninas costumam ser negligenciadas.

Nessas situações, o Fundo de População das Nações Unidas trabalha com governos, outras agências da ONU e organizações parceiras para garantir que a saúde sexual e reprodutiva não seja deixada de lado e que as pessoas mais vulneráveis não fiquem para trás nas respostas às emergências. O UNFPA também implanta sistemas para suprimentos de higiene, obstetrícia e planejamento da vida reprodutiva, além de disponibilizar pessoal capacitado para atender e dar apoio a populações em situação de vulnerabilidade e garantir que as necessidades de mulheres, LGBTI, pessoas idosas, com deficiência e jovens sejam atendidas tanto em situações de emergência quanto nas fases de reconstrução.

Vulnerabilidades agravadas

Mesmo em condições normais, os problemas de saúde sexual e reprodutiva são uma das principais causas de morte e doença entre mulheres em idade fértil. Quando ocorre uma crise, a assistência especializada ao parto e a assistência obstétrica de emergência muitas vezes ficam indisponíveis, aumentando a vulnerabilidade das mulheres grávidas. 

As adolescentes, mulheres e pessoas LGBTI também enfrentam outras ameaças. A ausência de serviços de saúde e outros fatores podem aumentar os riscos de contrair o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. O insumos para prevenção as IST's e HIV ficam escassos ou indisponíveis. O acesso aos medicamentos para pessoas com HIV muitas vezes se torna inexistente. E o colapso dos sistemas de proteção e garantia de direitos frequentemente leva a um aumento da violência baseada em gênero. Além disso, a carga de cuidado que as mulheres assumem com as crianças e outras pessoas pode afetar o cuidado adequado de si mesmas. As mulheres podem negligenciar suas próprias necessidades enquanto cuidam de suas famílias e pessoas próximas.

Pessoas idosas ou com deficiência também são afetadas em suas necessidades especificas de proteção. Os cuidados a sua saúde e inexistência de serviços especializados colocam em risco e maior vulnerabilidade aumentando as situações de violação de direitos desta população. 

UNFPA em emergências


Foto: UNFPA Brasil/Solange Souza

Pré-natal, parto seguro e assistência pós-parto: a resposta de emergência do UNFPA inclui suprimentos para o pré-natal; kits de higiene para ajudar a prevenir infecções em mulheres que não conseguem chegar a um centro médico durante o parto; equipamentos e medicamentos para partos clínicos; suprimentos para atendimento obstétrico de emergência; e apoio para resolver as complicações pós-parto que podem surgir tanto para mães como para recém-nascidos. O UNFPA também oferece treinamento prático para trabalhadores e trabalhadoras da área de saúde e parteiras.

As respostas são adaptadas às circunstâncias de cada crise. Salas de parto improvisadas podem ser instaladas em prédios danificados, clínicas de saúde móveis podem ser providenciadas e parteiras são às vezes equipadas com motocicletas. Serviços mais abrangentes são organizados quando o pior da crise já passou.

Planejamento da vida reprodutiva: Muitos casais querem evitar a gravidez e a maternidade em situações de crise, mas não têm meios para fazê-lo. A ausência de planejamento voluntário da vida reprodutiva em emergências significa maiores riscos de gravidez não planejada, maiores riscos à saúde das mulheres grávidas e possíveis consequências para a saúde daquelas pessoas que recorrem a abortos inseguros. O restabelecimento do acesso a métodos contraceptivos seguros e eficazes protege as vidas e o bem-estar das mulheres e permite que casais afetados pela crise gerenciem com mais eficiência os recursos familiares escassos.

O UNFPA envia preservativos masculinos e femininos e outros materiais de planejamento familiar para as áreas afetadas nas primeiras horas de uma emergência. Quando a situação se estabiliza, o UNFPA realiza avaliações rápidas para determinar as necessidades e preferências locais e apoia os esforços para disponibilizar uma ampla gama de métodos contraceptivos modernos.

Higiene: As necessidades específicas de higiene de mulheres e meninas são muitas vezes negligenciadas em emergências. Para ajudar mulheres e meninas a manter sua saúde e dignidade, o UNFPA distribui 'kits de dignidade' em comunidades afetadas por desastres e conflitos. Esses kits contêm absorventes higiênicos, sabão, roupas íntimas, assim como outros suprimentos exigidos pelas circunstâncias ou contextos culturais. Por exemplo, lenços de cabeça são distribuídos em algumas comunidades, enquanto camisetas são fornecidas em outras. Em lugares onde mulheres e meninas temem assalto, por exemplo, enquanto viajam à noite para os banheiros, tochas e lanternas com baterias são incluídas nos kits.

Violência de gênero

O UNFPA aborda a violência baseada em gênero em contextos humanitários com uma ampla gama de serviços, incluindo aconselhamento, manejo de casos, acolhimento em situação de violência sexual, apoio legal, atendimento psicossocial e assistência com meios de subsistência e apoio por meio de seus programas de saúde sexual e reprodutiva e de resposta a violência baseada em gênero. O UNFPA também incorpora a prevenção da violência em sua resposta humanitária, alcançando populações mais afetadas, como adolescentes e jovens, mulheres, LGBTI, pessoas idosas e com deficiência em situação de vulnerabilidade, multiplicando mensagens a homens e meninos sobre igualdade de gênero e trabalhando em estreita colaboração com redes comunitárias, solidárias e lideranças locais para reforçar os sistemas de apoio, fortalecendo e criando redes seguras.

Desde 2005, o UNFPA co-lidera, junto com a UNICEF, a Área de Responsabilidade da Violência Baseada em Gênero do Global Protection Cluster, que supervisiona a resposta da comunidade humanitária à violência baseada em gênero. O UNFPA também trabalha para fortalecer os serviços, informações e sistemas de encaminhamento para pessoas que sobrevivem a essa violência, e ajuda a desenvolver a capacidade dos parceiros para efetivamente projetar, gerenciar e avaliar programas para abordar a violência baseada em gênero em emergências.

Jovens

Pessoas jovens geralmente representam uma grande parte das populações afetadas por crises. Em alguns países, dois terços da população têm menos de 25 anos e metade das crianças fora da escola vivem em países em conflito ou pós-conflito. Os e as jovens deslocadas são particularmente vulneráveis ao HIV e precisam urgentemente de informações e serviços para se protegerem de doenças e gravidezes não planejadas.

O UNFPA atribui alta prioridade à proteção do bem-estar das pessoas jovens e ao apoio de sua transição bem-sucedida para a vida adulta. O UNFPA conscientiza e aborda as necessidades e preocupações específicas de jovens afetados por guerras ou crises, geralmente usando abordagens inovadoras e participativas.

Coleta de dados

O UNFPA desempenha um papel fundamental na coleta de dados durante emergências. Essas avaliações ajudam a orientar as respostas às crises, permitindo que as organizações humanitárias e as populações afetadas compreendam melhor como as necessidades estão evoluindo sob circunstâncias que mudam rapidamente. O UNFPA colabora com organizações estatísticas nacionais em países em desenvolvimento e de renda média, facilitando a coleta, análise, disseminação e uso de dados e informações confiáveis. O UNFPA também possui uma vasta experiência, desde o nível nacional e regional até o nível global, em questões de população e desenvolvimento.

Promovendo resiliência comunitária

O UNFPA trabalha com as populações mais vulneráveis fornecendo informações sobre direitos e espaços de participação e escuta para que todas as mulheres e meninas, pessoas LGBTI, idosas e com deficiência e jovens contribuam com a resposta humanitária formando uma rede de resiliência comunitária.

UNFPA e a situação Brasil-Venezuela


Foto: ACNUR/Reynesson Damasceno

Desde 2015, quando a região Norte do Brasil começou a receber maior fluxo de imigrantes de países vizinhos, em especial da Venezuela, o UNFPA tem trabalhado para promover a saúde sexual e reprodutiva, além de coordenar as intervenções da ONU em situações como violência sexual e violência de gênero na região. O objetivo é desenvolver padrões de políticas públicas capazes de mudar a situação.

Além disso, o UNFPA tem trabalhado ao lado de outras agências do sistema das Nações Unidas no Brasil e com o governo brasileiro na resposta humanitária emergencial a crise migratória na região, apoiando no acolhimento, no ordenamento da fronteira e nos processos de interiorização de venezuelanos e venezuelanas que chegam a Roraima. Neste processo, o UNFPA promove diálogos com mulheres e pessoas LGBTI para que se sintam mais fortalecidas no deslocamento, além de trabalhar diretamente com a rede de proteção de direitos nas cidades destino com o objetivo de fortalecer a capacidade institucional.

 

Assista no vídeo o trabalho do UNFPA em Roraima: