Notícia

Programa financiado pelo UNFPA realiza testagem de HIV no Posto de Interiorização e Triagem de Boa Vista, Roraima

27 Outubro 2020
IndyTamires da Silva na mesa de testagem (Foto: UNFPA Brasil/Pedro Sibahi)

Jovens participantes do programa Bora Saber realizam visitas semanais para realizar testagem sorológica com todo o público que frequenta o local

Por Pedro Sibahi

Desde o dia 13 de outubro de 2020, jovens do projeto Bora Saber realizam testagem sorológica para HIV no Posto de Interiorização e Triagem (PITRIG) da cidade de Boa Vista, em Roraima. A testagem é feita por fluido oral, coletado por SWAB (uma espécie de cotonete que é friccionado na gengiva), técnica mais segura por não envolver sangue. 

A ação é voltada para a população refugiada e migrante vinda da Venezuela que acessa serviços no local, para trabalhadores da assistência humanitária de diversas nacionalidades, inclusive brasileiros e brasileiras e militares, e deve seguir semanalmente até o final do ano.

O projeto funciona com a dinâmica de testagem por pares, que consiste na atuação de jovens voluntários treinados para recolher as amostras. Eles também atuam em suas respectivas comunidades, realizando as testagens em outras pessoas jovens. Caso uma pessoa seja testada positiva, ela é acompanhada até uma unidade de saúde ou Centro de Testagem e Aconselhamento para realizar exames de confirmação e receber o encaminhamento necessário.

Desde 2010, foram notificados 3.626 casos de pessoas com HIV no estado de Roraima, sendo 253 em 2020. A maioria dos casos diagnosticados foi de pessoas do sexo masculino, de 20 a 29 anos. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde de Roraima (SESAU)

O Bora Saber é financiado e recebe apoio técnico do UNFPA em parceria com a Associação Bem com a Vida (ABV), a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), e a Secretaria de Estado da Saúde de Roraima (SESAU), e tem apoio do Ministério da Saúde.

Integrante do Bora Saber, Abigail Martins, 22 anos, conta que é sua primeira vez trabalhando no PITRIG. “A receptividade dos coordenadores, trabalhadores humanitários, militares e outras organizações é muito boa, tanto que eles fazem os testes também, incentivam e chamam outras pessoas”. 

Abigail relata que sente muita gratificação ao disseminar conhecimento. “É muito legal fazer a testagem e mostrar a prevenção para as pessoas. Na hora do teste, sempre perguntam se é por sangue, pensam que é uma vacina. A agente explica que é pela saliva, que pode ter os anticorpos caso a pessoa tiver o HIV, explicamos o questionário que é feito antes e a coleta da amostra”.

Outra jovem que está atuando no PITRIG, Indy Tamires da Silva, 21 anos, conta que já atuou em abrigos da Operação Acolhida e diz que está gostando da nova experiência, por “compartilhar conhecimento e informações para os refugiados”.

Ela afirma que “é muito legal esse tipo de ação de campo, porque muitas das vezes eles [população refugiada e migrante] não têm acesso e é muito importante fazer o teste de HIV”. “As pessoas perguntam sobre o porquê de passar o SWAB na boca, se não transmite o HIV, explicamos o procedimento para as pessoas fazerem o teste com segurança. Na maioria das vezes, as pessoas querem entender o que estamos fazendo”.

 

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