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O Brasil no Quênia

12 Novembro 2019
Bernardo Mota e Rayane França, ao lado da representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant (ao centro), e da representante auxiliar, Júnia Quiroga (à dir.)

A Cúpula de Nairóbi está acontecendo no Quênia até esta quinta-feira, 14, para relembrar o Programa de Ação do Cairo e renovar as promessas feitas ao mundo em 1994, durante a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento. O evento é co-organizado pelo governo do Quênia, da Dinamarca e pelo Fundo de População das Nações Unidas. A delegação brasileira conta com vários representantes da sociedade civil, que acrescentam seus importantes pontos de vista ao debate. Saiba quem são alguns deles:

 

Bernardo Mota

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Aos 22 anos de idade, o mestrando em comunicação Bernardo Mota, membro da Rede Distrital Trans, guarda um longo histórico de luta e uma maturidade que impressiona, apesar da pouca idade. “Desde a adolescência, sou militante LGBTI. Nunca foi uma escolha ou vontade. Sempre foi uma necessidade de sobrevivência. Eu precisava de direitos que não existiam”, explica. Ele é uma das vozes jovens escolhidas para integrar a delegação brasileira.

 

Enquanto transexual, Bernardo atravessou uma longa trajetória para conseguir modificar seu nome — “tive que entrar com um processo de sete laudas explicando minha identidade”, conta — e para ter acesso à saúde. Para que outras pessoas trans não precisem lutar tanto, ele doa seu tempo e todos os seus esforços por serviços mais acolhedores, acessíveis e completos. E é essa busca por direitos e condições de saúde que embala sua jornada rumo à Nairóbi.

 

“Falamos muito sobre saúde sexual e reprodutiva, mas isso nunca é pensado com recortes para a população trans, especialmente homens trans. O direito ao corpo também é direito à informação. Temos que ter mais serviços e pesquisas. A saúde da população trans deve ser vista de forma mais humanizada”, defende. 

Saiba mais sobre a programação: https://www.nairobisummiticpd.org/overview

 

Jackeline Romio

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Nascida e criada na periferia de São Paulo, a  doutora em demografia Jackeline Romio conheceu a violência de perto, sobretudo a violência contra a mulher. “Várias mulheres da minha família sofreram violência doméstica e sexual. Mais tarde, percebi a questão racial. Fui descobrindo a diferença e multiplicidade das violências contra mulheres negras”, conta. Hoje, ela é secretária da Associação Latinoamericana de População (ALAP) e coordenadora da Rede Vulnerabilidades da mesma entidade, além de ser uma referência em estudos sobre feminicídio, gênero e raça, ajudando inclusive a nortear políticas públicas no país. Em Nairóbi, Jackeline fará parte de um painel sobre equidade racial. 

 

“Vou defender que é possível zerar a violência baseada em gênero ao levar em consideração as especificidades das mulheres negras, as maiores vítimas de violência, no momento da elaboração de políticas públicas e diagnóstico”, avisa. “É preciso que exista a desagregação de dados por raça/cor a nível global”.

Saiba mais: https://www.nairobisummiticpd.org/overview

 

Rayanne França

 

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Muito cedo, a jovem indígena Rayanne França deixou seu povo — Baré, no Amazonas — para estudar enfermagem na Universidade de Brasília, em uma distante capital. Na universidade, tornou-se ativista pelos direitos dos seus e hoje faz parte da Rede de Juventude Indígena (Rejuind). “Acreditar é o que me impulsiona. Acreditar nos meus ideais, acreditar que eu posso ser um agente transformador a partir do meu lugar e do meu espaço”, explica. “Acreditar também, principalmente, que podemos ter dias melhores para os direitos dos povos indígenas”.

 

Participando de um painel sobre Mudanças Climáticas e Adaptação, Rayanne representará as mulheres jovens indígenas na Cúpula de Nairóbi. Para a jovem indígena brasileira, será uma oportunidade de “posicionar a voz da juventude indígena”. “Principalmente de mulheres e jovens indígenas, pensando na perspectiva destes povos em relação ao acesso a direitos e sob uma perspectiva da  interculturalidade”, adianta. 

Saiba mais sobre a programação: https://www.nairobisummiticpd.org/overview

 

Elizabeth Campos Silva

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Elizabeth Silva Campos é educadora social, mãe e nasceu na periferia do Rio de Janeiro. Aos 52 anos de idade, ela é coordenadora do Espaço Casa Viva/RedeCCAP, programa de empreendimento social que leva ações em educação com oficinas de arte e cultura para crianças, adolescentes e jovens das comunidades de Manguinhos e entorno. “Eu levo esse programa com muita alegria, pois crianças que passaram por esse programa, hoje são jovens que se formaram, que moram em outros lugares, e que às vezes voltam para impulsionar outras crianças”. 

 

O complexo de Manguinhos é conhecido por sofrer com alguns problemas sociais, principalmente com a violência. A partir desse histórico, em 2003, Elizabeth iniciou uma pesquisa sobre violência contra a mulher. Com apoio da Fiocruz, ela recebeu o convite da RedeCCAP para integrar a equipe de pesquisa sobre violência contra a mulher. “Há 27 anos, sofri violência obstétrica durante o parto à espera da minha filha, a partir disso, surgiu a minha vontade de lutar pelos direitos e saúde das mulheres”, conta.

 

É a busca por direitos e condições de saúde que pavimenta seu caminho até Nairóbi. “As mulheres ainda sofrem com muitas formas de violência, principalmente a mulher negra da periferia e os seus filhos. Manguinhos me despertou para a consciência do ativismo, por isso, luto pelos direitos humanos, e acima de tudo, luto para que todas as pessoas tenham seus direitos assegurados”. 

 

Além de participar da Cúpula de Nairóbi, Elizabeth também participará do diálogo de Alto Nível When Women Lead (Quando mulheres lideram, em português) - evento paralelo que discute a participação de mulheres em cargos de liderança. 

 

Saiba mais sobre a programação: https://www.nairobisummiticpd.org/overview