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Estudantes de medicina de todo o país participam de workshop sobre saúde reprodutiva em Brasília

7 Agosto 2019
O workshop contou com a presença de especialistas do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal e do UNFPA (Foto: UNFPA Brasil/Divulgação)

Muito atenta, uma plateia de jovens estudantes de medicina assistiu, durante um dia e meio, a uma aula diferente, aprendendo sobre saúde reprodutiva e seus desafios, sobre a importância de entender a diversidade e de melhorar o atendimento à população LGBTI. A segunda edição do workshop “Formação de Liderança Profissional em Saúde Sexual e Reprodutiva” foi organizada pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em parceria com a Federação Internacional de Estudantes de Medicina (IFMSA), e selecionou 20 futuros médicos do país inteiro para uma verdadeira imersão no assunto. O encontro ocorreu na última quinta e na manhã de sexta-feira, 1 e 2.

O workshop contou com a presença de especialistas do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal e do UNFPA. O representante do Fundo de População da ONU no Brasil, Jaime Nadal, lembrou a importância do evento ao ajudar na formação de médicos conscientes e multiplicadores da necessidade da garantia por direitos, da promoção da equidade de gênero e do acesso a insumos e serviços em saúde sexual e reprodutiva.

Jaime apontou questões preocupantes como o alto índice de gravidez não intencional na adolescência (no Brasil, 20% das mães têm menos de 19 anos), a violência de gênero e o casamento infantil. “Em algum momento, todos esses indicadores vão passar pelas suas mãos, futuros médicos. Como vocês manejam esse tipo de situações vai ser determinante para a vida dessas pessoas. Ao saírem desse workshop, vocês terão um papel importante na medida em que serão peças influenciadoras e inspiradoras para outros profissionais de saúde, contribuindo para o debate e o engajamento, para melhorar o acesso a serviços de saúde, sempre focando na garantia de direitos”, lembrou.


A representante auxiliar do UNFPA no Brasil, Júnia Quiroga, apresentou os temas de saúde conectados ao marco que foi a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (Foto: UNFPA Brasil/Ester Cruz)

A representante do Ministério da Saúde, por meio da Coordenadoria de Saúde das Mulheres, Maria Gerlívia Angelim, elogiou a iniciativa do Fundo de População da ONU na capacitação dos jovens. “É um desafio trabalhar esse tema tão importante. O Brasil enfrenta obstáculos com relação à saúde da mulher, principalmente a saúde materna, por isso é importante trabalhar esse tema”, afirmou. De acordo com os dados do Ministério da Saúde de 2016, a taxa de mortes maternas em 2016 foi de 64,4 a cada 100 mil nascidos vivos durante ou depois do parto - o país tem uma meta nacional de alcançar o índice de 30 até 2030.

Jovens conscientes

O diretor Nacional de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos da IFMSA, Gustavo Mendes e Silva, reforçou aos jovens presentes que é preciso existir ainda uma mudança na educação médica, com um olhar mais atento a questões sociais e aos direitos humanos. “Conhecer todo o sistema significa saber, por exemplo, que aquela adolescente que engravidou com 15 anos pode não voltar para escola, pode sofrer relacionamentos abusivos. Nós médicos precisamos sair dos livros, olhar para essa realidade e falar sobre planejamento familiar, higiene íntima e saúde reprodutiva. A carreira médica não precisa focar apenas no atendimento final”, disse.

Conferência do Cairo no radar

Entre as palestras assistidas pelos estudantes, estava a da representante auxiliar do UNFPA no Brasil, Júnia Quiroga, que apresentou os temas de saúde conectados ao marco que foi a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), ocorrida no Cairo em 1994. Júnia explicou que esta conferência, a mais importante para o UNFPA, foi um divisor de águas na forma como os temas de população e desenvolvimento passaram a ser abordados: de uma perspectiva puramente de controle populacional que vinha sendo trabalhada, até então, os governos começaram a reconhecer os direitos reprodutivos como direitos humanos. 

Júnia também fez uma breve exposição sobre a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, um compromisso pactuado globalmente pelo Sistema ONU em prol da melhora em vários indicadores, de saúde, educação à redução da pobreza. “Essas plataformas, da Agenda 2030 e da Conferência do Cairo, não são diferentes, elas são convergentes. E já estamos em 2019, nosso relógio está indo rápido. Apesar dos nossos muitos avanços, existem muitos desafios que são, fortemente, de vocês, futuros médicos”, alertou.

 

As apresentações exibidas durante o workshop estão disponíveis aqui.

II Workshop de Formação de Líderes em Saúde Sexual e Reprodutiva