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Encontro de Mulheres Refugiadas e Migrantes ressalta importância do trabalho conjunto pelo fim da violência de gênero

 

Representante do Fundo de População das Nações Unidas, Astrid Bant defendeu diálogo constante com as mulheres refugiadas e migrantes, gestores públicos e organizações parceiras na busca pela igualdade de oportunidades

 

Por Pedro Sibahi

 

Entre os dias 28 de abril e 6 de maio, cerca de 60 mulheres refugiadas e migrantes que são líderes comunitárias em Roraima participaram de rodas de conversa e grupos de trabalho, com o objetivo final de contribuir para uma resposta humanitária que apresente em seu centro as necessidades e demandas da população de interesse, com o aprimoramento do acesso aos serviços públicos na região Norte e estabelecimento de políticas públicas alinhadas com a Lei de Migração.

Realizada na tarde da última quinta-feira (6), a plenária final do I Encontro de Mulheres Refugiadas e Migrantes do Norte foi o encerramento deste processo, em um momento de troca e agradecimento, no qual se reforçou a importância do trabalho conjunto e das parcerias para o enfrentamento da violência de gênero, de promoção da equidade e do empoderamento feminino.

O encontro foi organizado em conjunto pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), ONU Mulheres e ACNUR, e integra o projeto LEAP, apoiado pelo governo de Luxemburgo, que visa fomentar liderança e participação, empoderamento econômico, e o fim da violência contra mulheres e meninas. As representações no Brasil das três agências da ONU, assim como o embaixador do Grão-Ducado de Luxemburgo, Carlo Kriegger, participaram do evento por videoconferência. Estiveram presentes representantes do governo estadual de Roraima e da prefeitura de Boa Vista, e o chefe de escritório do UNFPA em Roraima, Igo Martini.


Embaixador do Grão-Ducado de Luxemburgo, Carlo Kriegger (Foto: ONU Mulheres)

A representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant, afirmou que as mulheres refugiadas e migrantes participantes do encontro são “importantes lideranças comunitárias que dão voz à centenas de mulheres refugiadas e migrantes venezuelanas. São protagonistas no projeto LEAP e suas contribuições durante o encontro foram fundamentais para a elaboração de propostas que subsidiarão a partir de agora a elaboração dos planos de trabalho das agências”.

Astrid Bant destacou que, por meio do projeto LEAP, entre janeiro e dezembro de 2020 o UNFPA realizou 1.680 sessões de conscientização sobre Violência Baseada em Gênero e informações que salvam vidas nas cidades de Pacaraima, Boa Vista e Manaus, além de atender aproximadamente 18 mil mulheres e meninas e 15 mil homens e meninos.

“Com a pandemia da Covid-19 foi necessário adaptar algumas atividades a fim de garantir a segurança da nossa equipe e das pessoas refugiadas, porém com o LEAP, o UNFPA manteve seu trabalho em campo e com as demais agências atuou de forma articulada e interagencial em ações de comunicação com a comunidade e com proteção de base comunitária”, acrescentou a representante do UNFPA.

O embaixador de Luxemburgo, Carlo Kriegger, destacou que“a promoção e proteção dos direitos humanos em todas as suas formas é uma prioridade para o Governo de Luxemburgo, por isso nos orgulhamos de estarmos associados a este seminário. No contexto da crise humanitária venezuelana, essa experiência significa compreender como mulheres e meninas estão expostas a maiores riscos e vulnerabilidades, para ajudá-las a ter acesso a serviços sociais e oportunidades de emprego, garantindo inclusão e diversidade”.

Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya, a ação conjunta é fundamental para garantir o acolhimento de meninas e mulheres venezuelanas e promover oportunidades para recomeçarem suas vidas no Brasil. “Durante dois anos, a ONU Mulheres, UNFPA e ACNUR vêm trabalhando com mulheres migrantes e refugiadas do Norte, dia a dia, buscando e implementando as soluções que atendam melhor às necessidades das mulheres e meninas tanto da Venezuela quanto das comunidades brasileiras. Juntos e juntas, criamos e implementamos mecanismos para incorporar a igualdade de gênero e, assim, as necessidades diferenciadas de mulheres e homens na ação de resposta humanitária”, disse Anastasia Divinskaya.


Representante da ONU Mulheres no Brasil, Anastasia Divinskaya

Segundo o representante do ACNUR, José Egas, um dos principais objetivos do encontro foi promover soluções duradouras para demandas importantes do dia a dia de mulheres migrantes e refugiadas no Brasil. “Sabemos que os desafios enfrentados pelas mulheres são, infelizmente, maiores devido às responsabilidades acumuladas de cuidado com a casa e a família, além das atividades econômicas. Muitas mulheres são responsáveis pelo sustento da família e cuidam sozinhas de seus filhos. Neste cenário, ainda temos milhares que tiveram que passar pela situação de deslocamento forçado”, reforçou. 

“Sabemos também que os índices de violência são bastante altos e que este cenário de pandemia potencializa essa vulnerabilidade. Por isso, reconhecemos a importância de priorizar o engajamento de mulheres em criar e propor mudanças, destacando a importância de se envolverem mais em projetos e políticas públicas, para que suas vozes sejam amplamente escutadas”, acrescentou José Egas.

 

O Programa LEAP – Conduzido por ONU Mulheres, ACNUR e UNFPA, e apoiado pelo governo de Luxemburgo, o programa conjunto LEAP foi assinado em 2018 e está em implementação desde 2019. O programa se estabelece em três frentes: liderança e participação; empoderamento econômico; fim da violência contra mulheres e meninas. Junto com o Sistema das Nações Unidas no Brasil, organizações da sociedade civil e ONGs envolvidas na resposta humanitária, o LEAP busca o fortalecimento e coordenação de atores humanitários e poder público, o desenvolvimento de capacidades de organizações locais e a criação de espaços seguros, positivos e de resiliência para mulheres migrantes e refugiadas conseguirem a boa convivência com as comunidades locais. Dentro do cenário da pandemia de Covid-19, também tem oferecido apoio a mulheres líderes comunitárias, migrantes e brasileiras. Junto a instituições de ensino, ao Governo Federal por meio da Operação Acolhida, e com o engajamento do setor privado, o programa LEAP também promove ações de integração socioeconômica de migrantes e refugiadas venezuelanas. As atividades incluem qualificação profissional, auxílio financeiro, mentoria, apoio a grupos de mulheres empreendedoras e busca ativa por vagas formais de trabalho.