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Autoridades e especialistas internacionais debateram sobre as brechas pendentes na América Latina e no Caribe nos temas de população. Montevidéu - Autoridades de vários países e especialistas internacionais participaram ontem (14) de uma mesa de alto nív

Representantes de mais de 30 países da América Latina e do Caribe debaterão assuntos prioritários para uma agenda futura de população além de 2014 em um evento em que assistem mais de 800 pessoas.

 

 

Montevidéu - A Primeira Reunião da Conferência Regional sobre População e Desenvolvimento da América Latina e do Caribe começou ontem em Montevidéu, Uruguai, com a presença de representantes de mais de 30 países da América Latina e do Caribe que debaterão, durante quatro días, uma proposta de agenda regional em população e desenvolvimento além de 2014.

Trata-se de um dos maiores encontros intergovernamentais dos últimos anos, ao qual assistem mais de 800 pessoas incluindo autoridades, altos funcionários internacionais, especialistas em temas de população e representantes de organizações não governamentais. A Reunião é organizada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), em conjunto com o Governo do Uruguai e com o apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

A cerimônia de inauguração foi liderada pelo Presidente do Uruguai, José Mujica, pelo Ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, pela Secretária-Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, pelo Diretor-Executivo do UNFPA, Babatunde Osotimehin, e pelo Secretário-Geral Ibero-americano (SEGIB), Enrique V. Iglesias.

Em seu discurso o Presidente do Uruguai, José Mujica, deu as boas-vindas a todos em nome de seu país e afirmou que ainda que os temas tratados não sejam novos, são novas as circunstâncias do mundo atual. “Cabe a nós viver em uma época de explosão técnica e científica, com um grande acúmulo de capital e uma pressão permanente sobre a demanda. É uma época agitada e tumultuada”, declarou.

“Temos hoje forças brutais globalizadoras e sofremos uma espécie de desgoverno da civilização, do qual somos vítimas e culpados. Nesse marco temos que fazer a seguinte pergunta: Nossos jovens serão mais felizes? E o que é a felicidade? Não tenho uma resposta muito clara, mas não pode estar muito distante da liberdade. Porém, há uma liberdade menor, que é ter tempo para viver. Por isso, eu quero agradecer àqueles que vão trazer conhecimento, dados e pensamentos. Realizar trabalho intelectual é tratar de compreender”, assinalou o Presidente Mujica.

Em seu discurso de abertura, a Secretária-Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, informou que a realização dessa Conferência coroa um longo processo de integração do enfoque de direitos nas políticas de desenvolvimento. “Chegamos aqui em melhores condições do que as que tínhamos como região há 20 anos. Hoje, temos a possibilidade de ter uma só voz que conjugue as demandas de todos os grupos sociais que têm feito da CIPD e de seu Programa de Ação Regional, parte de sua agenda. Uma voz própria no acordo global”, afirmou.

“O nosso é uma agenda de igualdade, uma agenda de cidadania, uma agenda de aprofundamento democrático, uma agenda de direitos para os cidadãos e cidadãs, uma agenda para as pessoas, para as mulheres, que as leve a uma sociedade de bem-estar e felicidade”, declarou Bárcena.

Segundo a alta funcionária das Nações Unidas não é por acaso que a primeira reunião dessa Conferência Regional se realize no Uruguai, “país que tem se destacado por seu papel inovador em diferentes assuntos de população e desenvolvimento, tais como a instalação de uma institucionalidade específica vinculada estreitamente ao planejamento integral de médio e longo prazo, a ampliação da proteção social por meio de mecanismos que colocam no centro a igualdade, o desdobramento no emergente tema do cuidado com um enfoque de gênero e geracional, a luta pela tolerância e contra o racismo e a discriminação, o cumprimento dos direitos sexuais e reprodutivos e o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva”, acrescentou.

O Diretor Executivo do UNFPA, Babatunde Osotimehin, declarou que promover a agenda de igualdade de gênero em um mundo pós 2015 inclui concluir o trabalho da Declaração do Milênio. “Infelizmente, os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) que estão mais distantes de se cumprir são aqueles diretamente relacionados com a meta de alcance da igualdade de gênero, entre eles a redução da mortalidade materna e assegurar os direitos à saúde e direitos reprodutivos universais. Isto tem ocorrido apesar da abundante evidência de que a desigualdade de gênero reduz significativamente o crescimento económico, tanto nos países ricos como nos pobres”, afirmou.

Em relação ao crescimento, enfatizou o papel essencial que desempenha outro grupo populacional: os jovens. “Vários países estão próximos de colher os benefícios do ‘bônus demográfico’, mas isto requer que os tomadores de decisão e planejadores invistam agora em programas para melhorar o acesso dos jovens ao trabalho decente, à educação, à participação social e a serviços de saúde, especialmente os serviços de saúde sexual e reprodutiva. Adolescentes e jovens totalmente comprometidos, educados, saudáveis e produtivos podem ajudar a romper o ciclo da pobreza e fortalecer suas famílias, comunidades e nações. O resultado dessa Conferência deveria enviar uma clara mensagem aos 140 milhões de jovens que vivem na região que os estamos escutando e que queremos unir forças para dar oportunidades àqueles que não têm acesso à escola ou ao trabalho”, indicou Osotimehin.

O Secretário Geral Ibero-americano (SEGIB), Enrique V. Iglesias, ressaltou o compromisso das Nações Unidas com os direitos humanos e com o bem comum da humanidade e da população. “Estou orgulhoso de crer na ONU, e em especial nesta reunião da ONU. O Uruguai é grande por ser fiel em manter o compromisso com a defesa dos direitos humanos, que é una grande tradição de nosso país”, considerou.

Finalmente, o Ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Luis Almagro, reafirmou o compromisso de seu país com a agenda de população, destacando a lei recentemente aprovada que garante o aborto legal, seguro e gratuito.

* Fonte: CEPAL