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Violências de gênero, racismo e protagonismo de jovem liderança foram os assuntos da primeira edição da Roda de Diálogo

29 Outubro 2020

O evento faz parte da programação da Roda das Juventudes Já! que ocorre até 14 de novembro

Por Guilherme Cruz

A Roda das Juventudes Já! realizou mais uma atividade para sensibilização  e criação de propostas de enfrentamento  às violências de gênero. Depois de uma semana de oficinas e debates se realizou nessa terça-feira (27) a primeira edição da série Roda de Diálogo com o tema “Violências de gênero e os compromissos da Cúpula de Nairobi”. 

O intuito do evento online foi promover mais um espaço de capacitação dos trinta adolescentes e pessoas jovens que participam da imersão de quatro semanas propiciado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). A Roda de Diálogo, que faz parte da programação oficial da Roda das Juventudes Já!, tem como objetivo fortalecer a criação de propostas para o enfrentamento às violências de gênero e para isso conta também com  tradução em libras em todos os eventos. 

O Atlas da Violência 2020, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), expõe a dificuldade de registro sobre as modalidades de violência contra a população LGBTQI+. Mesmo assim, houve 9.223 notificações de violência contra a população LGBTQI+ em 2018. E o crime de feminicídio apresenta um total de 4.519 mulheres assassinadas no Brasil em 2018, porém esse número possui um viés racial onde, entre 2017 e 2018, houve uma queda de 12,3% nos homicídios de mulheres não negras, entre as mulheres negras essa redução foi de 7,2%. Em 2018, 68% das mulheres assassinadas no Brasil eram negras

Debater a realidade desses números foram uma das abordagens do encontro virtual que contou com a presença de Cintia Cruz, analista técnica do UNFPA Brasil. Em sua fala, Cintia explicou a Missão e formas de atuação do UNFPA, mas também realizou uma análise interseccional falando sobre violência de gênero e racismo. 

“A violência de gênero é baseada nas identidades de gênero, então essa violência pode ser física, psicológica, simbólica, patrimonial, entre outros tipos. E identificar esses tipos de violências é um desafio, porque, ao mesmo tempo, se necessita de um descobrimento de uma força interna para buscar ajuda”. Para Cintia Cruz a valorização do movimento de mulheres é essencial nesse processo, pois auxilia a desconstrução do gênero permeado pelo controle e poder, principalmente quando se relaciona com o racismo.       

“No Brasil não temos como falar de violência de gênero sem entender raça, porque a primeira marca nesse contexto é o racismo. Vivemos uma produção histórica de violências,  violências cotidianas, já que a experiência de violência de uma mulher negra, uma mulher indígena, uma mulher refugiada é diferenciada e estabelecida também pelos padrões da branquitude”, concluiu. 

Já para reflexionar esses processos de violências e trazer a experiência de participação juvenil na Cúpula de Nairóbi em 2019, Matheus Valois, estudante de Relações Internacionais, relatou os principais ensinamentos vivenciados. “A participação em Nairóbi foi extenso, começou com encontros regionais na América Latina. E lá tive a oportunidade de conhecer ativistas de todo o mundo, e fazer parte de um processo democrático. Eu, enquanto jovem ativista podia sentar com ministros na mesma sala e frequentar painéis”.

Matheus Valois fez referência as discussões sobre igualdade de gênero, liderança política e comunitária, inovação, e as ações de aceleramento de melhores índices para a saúde sexual e reprodutiva, desenvolvimento sustentável, violência baseada em gênero, entre outros.

“A cúpula foi uma oportunidade para trocar ideias e boas práticas para saber o que precisamos fazer de diferente para poder alcançar os objetivos. Foi um processo muito rico com espaços para os jovens. Hoje vejo que o importante da Cúpula de Nairóbi foi ver que se eu continuar fazendo o meu trabalho, meu ativismo, podemos conseguir uma sociedade mais justa através do potencial da juventude”, avaliou. 

A facilitação do encontro foi realizado por Gabriela Monteiro, oficial para Assuntos de Juventudes do UNFPA. “A Roda das Juventudes Já! tem uma proposta bem definida de enfrentamento às violências de gênero e também em retomar os compromissos realizados em Nairóbi. Por isso, estamos aprofundando a reflexão com esses encontros, e construindo propostas coletivas e horizontais criando um momento de força em comunidade” disse. 

A Roda das Juventudes Já! é uma realização do UNFPA em parceria com Oxfam Brasil, UNICEF, IYD Brasil, Plan Internacional, Terre des Hommes e Coletivo Não é Não.

As transmissões da série Roda de Diálogos acontecem toda terça-feira, a partir das 15h30min, e possuiu tradução em libras. Anote a programação dos próximos encontros:

  • 03 de novembro: Enfrentando relações de dominação e construindo uma cultura do cuidado
  • 10 de novembro: Diálogos interseccionais: respeitando nossas diferenças por uma sociedade livre de violências

Assista o evento

 

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