Você está aqui

UNFPA e Fiocruz lançam curso sobre impacto da Covid-19 para gestantes em comunidades indígenas e tradicionais

Formação voltada para profissionais de saúde da região norte busca aprimorar conhecimentos com base nas evidências científicas mais atualizadas

 

Por Pedro Sibahi

Passado mais de um ano do início da pandemia causada pelo novo Coronavírus, o Brasil já possui dados epidemiológicos que apontam determinados grupos como mais vulneráveis à Covid-19. Entre eles, estão as comunidades indígenas e tradicionais, como ribeirinhos e quilombolas, assim como as mulheres grávidas e puérperas, que apresentam maior risco em desenvolver a forma grave da doença. Buscando apresentar uma resposta abrangente a esse quadro, o Fundo de População das Nações Unidas, em parceria com a Fiocruz, lança o curso Covid-19 e a atenção à gestante em comunidades indígenas e tradicionais

Criado com financiamento do Fundo de Resposta e Recuperação da COVID-19 das Nações Unidas, o curso é online, gratuito e autoinstrucional, contando com 15 horas de duração, em 7 aulas que compõem 3 módulos. Esta é uma formação voltada principalmente para profissionais e gestores de saúde na Amazônia Legal Brasileira, mas está aberta a todos os interessados na temática. O conteúdo inclui informações sobre os povos e comunidades indígenas e tradicionais, as especificidades da Covid-19 para esses grupos sociais, além de informações sobre manejo clínico da gestante no contexto da Covid-19 e recomendações para atenção às gestantes nestes contextos.

Clique aqui e inscreva-se no curso!

A responsável pelo curso no Fundo de População das Nações Unidas, Anna Cunha, destacou que, como as evidências científicas têm indicado maior chance de desfecho materno e neonatal desfavorável na presença da Covid-19 moderada e grave, a formação busca aprimorar os protocolos específicos para esses grupos, com vistas à detecção precoce de infecção e redução da razão de mortalidade materna. Essa iniciativa se insere no objetivo global do UNFPA, conforme definido na Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (CIPD) e na Cúpula de Nairóbi, de garantir que até 2030, em todo o mundo haja zero necessidades não atendidas de contracepção, zero mortes maternas evitáveis e zero violência e práticas nocivas contra mulheres e meninas.

A coordenadora do Campus Virtual Fiocruz, Ana Furniel, ressaltou que o curso está alinhado aos princípios de disseminação de informações qualificadas e capacitação de profissionais de saúde no contexto da pandemia. "O foco do curso é nas populações que se encontram em maior vulnerabilidade social e que demandam uma atenção mais específica e especializada”.

A coordenadora acadêmica do curso, Maria Mendes Gomes, que é pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) apontou que o curso preenche um espaço importante diante do impacto da pandemia de Covid-19 na saúde materna.

Segundo ela, é sabido que essa doença aumenta o risco de formas graves durante o ciclo gravídico puerperal. “Junto a isso, a pandemia causou impacto indireto na saúde das mulheres gestantes, devido à significativa desarticulação e reformulação, que foi necessária neste momento, no cuidado e atenção ao pré-natal, considerando ainda as diferentes questões ligadas aos desafios socioeconômicos. Outro fator que temos que pensar é que parte dessas gestantes, em algumas situações ou sinais de maior gravidade, precisarão também da atenção de urgência e emergência e atenção hospitalar. Por isso ele é voltado a profissionais de saúde, gestores, pessoas da área clínica da atenção e da organização da rede, tanto na saúde indígena como nas redes de atenção urbanas”.

Além do curso Covid-19 e a atenção à gestante em comunidades indígenas e tradicionais, o UNFPA realizou mais quatro eixos de atividades com apoio do Fundo de Resposta e Recuperação da CovidOVID-19. Também foram doados equipamentos para a instalação de salas de telemedicina em 7 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) do Amazonas, foram contratadas facilitadoras culturais para disseminar informações entre comunidades quilombolas do Maranhão e indígenas do Amazonas, além do desenvolvimento e implementação de uma plataforma virtual de monitoramento de dados sobre Covid-19 e gravidez na região norte. Ainda foram doados milhares de unidades de equipamentos de proteção individual na região.