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Teleconsulta e informações podem auxiliar mulheres no acesso à saúde sexual e reprodutiva durante pandemia

28 Maio 2020
Webinário levantou questões importantes sobre saúde reprodutiva durante a pandemia (Reprodução)

Voltado para profissionais de saúde, um webinário realizado na última segunda-feira (25), pela empresa MSD, contou com a participação da representante do Fundo de População da ONU no Brasil, Astrid Bant, e discutiu o possível crescimento de gestações não intencionais durante a pandemia de COVID-19. O webinário expôs a necessidade de que o acesso a contraceptivos e a serviços de saúde sexual e reprodutiva seja mantido durante esse período, e levantou alternativas como a teleconsulta e a oferta pública de informações para que mulheres não fiquem desassistidas. 

A representante do UNFPA apresentou dados do estudo recente feito pela organização que mostra que, se as medidas de quarentena e lockdown continuarem por até seis meses, afetando os serviços de saúde, 47 milhões de mulheres em 114 países (incluindo o Brasil) podem ficar sem acesso a contraceptivos. Isso pode resultar em 7 milhões de gravidezes não intencionais. 

Durante a pandemia, os serviços de saúde podem ficar sobrecarregados com a emergência e deixar de realizar atendimentos fundamentais, como o pré-natal. Ou mulheres gestantes podem deixar de ir até as unidades por medo de contágio. Outro problema já enfrentado é a dificuldade na cadeia de suprimentos, com estoques de contraceptivos ameaçados em muitos locais. 

“As pessoas que já tinham dificuldades de acesso ao planejamento familiar são as que ficam ainda mais vulneráveis durante a pandemia. É muito importante ter uma visão diferenciada para as mulheres na prisão, as mulheres indígenas, as mulheres refugiadas e migrantes”, destacou Bant. 

A dra. Carolina Sales, professora de ginecologia e obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP), afirmou que a teleconsulta tem sido uma excelente alternativa para atender as mulheres que têm receio de ir até a unidade de saúde. Por meio deste instrumento, conforme ela ressalta, profissionais podem prescrever contraceptivos e medicamentos, em casos mais simples, e marcar consultas apenas para a realização de exames e colocação de DIU e implantes contraceptivos subcutâneos. 

Segundo ela, é fundamental que o acesso a contraceptivos de fato seja mantido, uma vez que existe também uma correlação entre gravidez não intencional e morte materna, muitas vezes devido à ausência de pré-natal adequado. Outro problema a ser combatido é a desinformação.

“Muitas vezes as mulheres não são avisadas dos serviços que estão mantidos. É preciso existir uma publicidade para que as mulheres entendam onde procurar os serviços (de saúde sexual e reprodutiva) e porque é perigoso não procurar. Às vezes, a pessoa não sabe que existem áreas separadas de casos de COVID-19 dentro do hospital. Mostrar que existem áreas separadas é chave para que as pessoas continuem procurando pelos serviços com segurança”, destacou. 

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