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Resiliências entre organizações de empregadores e trabalhadores pode ser chave para o trabalho pós-pandemia

12 De setembro de 2020
(Reprodução/youtube)

Em debate virtual promovido pela Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) e Fundo de População da ONU, convidados e convidadas discutiram sobre o mundo do trabalho no contexto de pandemia e isolamento social

A pandemia do novo coronavírus trouxe mudanças significativas para o mundo do trabalho e impulsionou o uso de ferramentas como o trabalho remoto, mas isso aconteceu para pessoas cujo emprego não exige presença física. Especialistas se juntaram, em debate virtual, na última quarta-feira (08/09) para discutir como o mundo do trabalho foi afetado pela pandemia no Brasil e como o mercado está se reconfigurando para o futuro. 

Assista esse debate na íntegra

 

Pela primeira vez o nível de ocupação no país ficou abaixo de 50%, isso é o que revela a coordenadora-geral de Cadastros, Identificação Profissional e Estudos no Ministério da Economia, Mariana Eugenio Almeida. “Somente no período de março a julho, houve queda de menos 1,6 milhões de empregos formais, isso é um efeito causado principalmente pela queda das admissões. Observa-se também, que os setores de serviços e comércio foram os mais afetados nesse período”, aponta Mariana Eugenio.

Mariana Almeida destacou ainda a importância das respostas do governo brasileiro frente à crise da Covid-19, com destaque para o auxílio emergencial; Programa de Preservação do Emprego e da Renda, bem como aos benefícios como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seguro desemprego, adiantamento do abono salarial e o acesso a créditos para empresas.

A professora adjunta da Universidade do Cariri (Economia) e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Demografia), Silvana Nunes, compartilhou informações de um cenário pós-pandemia relacionadas a população trabalhadora. “Existem cenários bons e ruins. O teletrabalho já estava na reforma trabalhista de 2017 e veio para ficar, o trabalho terceirizado também tende a aumentar, já existem pequenas empresas que se reinventaram e estão vendendo muito mais de forma online”.

Silva Nunes complementa: “Por outro lado, existe um dos maiores problemas dos países subdesenvolvidos que é a ‘uberização’ do trabalho, são entregadores de app que estão fora da proteção de trabalho, sem férias, sem 13º [salário] e sem nenhuma garantia. É preciso criar empregos formais de qualidade, do contrário, existirá a continuidade do aumento do desemprego e dos trabalhos precários ou informais. Se o governo não tiver controle, podemos entrar em recessão e podemos entrar em crise econômica, conclui Silvana Nunes.

De acordo com José Ribeiro Guimarães, Oficial Nacional de Geração e Análise de Dados para a Promoção do Trabalho Decente e Coordenador da Área de Conhecimento para a Promoção do Trabalho Decente, do Escritório da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, a OIT sugere quatro pilares de medidas e políticas de resposta à crise da Covid-19

  • Estimular a economia e o emprego, através de políticas orçamentárias ativas e políticas monetárias favoráveis aos empréstimos; 
  • Apoiar empresas, o emprego e os rendimentos, através da ampliação da proteção social a todos, como exemplo, o auxílio emergencial;
  • Proteger trabalhadores e trabalhadoras nos locais de trabalho, reforçando as medidas de Segurança e Saúde no Trabalho, adotando modalidades de trabalho flexíveis e;
  • Utilizar o diálogo social para soluções, reforçando a capacidade e a resiliência entre organizações de empregadores e de trabalhadores.

A mediação do webinário foi realizada por Cesar Augusto Marques da Silva, pesquisador na Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE) e Tesoureiro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP).

A série “População e Desenvolvimento em Debate” é promovida pela Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) e pelo Fundo de População das Nações Unidas no Brasil. Assista aos episódios anteriores no canal do UNFPA no Youtube: youtube.com/unfpabrasil.