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Projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná distribui 300 Kits Dignidade em Foz do Iguaçu

27 Maio 2020
A entrega de segunda-feira foi destinada para famílias do Jardim Canadá (Foto: UNFPA Brasil/Guilherme Cruz)

Realidades distintas em mutirão realizado na última segunda-feira expõe os grandes desafios frente a COVID-19

Touca, luva e cachecol de lã eram alguns dos utensílios que se podia ver na fila formada na manhã da última segunda-feira (25) na frente do projeto social Anjo Gabriel, em Foz do Iguaçu, no estado do Paraná. Para amenizar os efeitos do frio algumas peças de roupa, e para amenizar os efeitos da COVID-19 no município uma rede de solidariedade se formou para levar cestas básicas e kits com itens de higiene individual. 

O UNFPA e a Itaipu Binacional, se juntaram à Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, para realizar a entrega de 300 Kits Dignidade composto por creme e escova dental, álcool gel 70%, desodorante, aparelho de depilação descartável, sabonete, máscara de proteção, absorvente, shampoo e condicionador. A ação da Secretaria Municipal de Assistência Social teve apoio de organizações sociais, do 34º Batalhão de Infantaria Mecanizado e do Centro de Referência Integral ao Adolescentes (CAIA) para também distribuir cestas básicas.

A entrega de segunda-feira foi destinada para famílias do Jardim Canadá, e o local de referência escolhido para a entrega dos Kits Dignidade e da cesta básica foi o projeto social Anjo Gabriel, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima. O UNFPA, desde o início de suas atividades em Foz do Iguaçu, apoia o projeto que conta com um coral de crianças e adolescentes, e tem como foco mães adolescentes que são a maioria na região.   


Os kits Dignidade e a cesta básica foram entregues no projeto social
Anjo Gabriel, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima (Foto: UNFPA 
Brasil/Guilherme Cruz)

O Anjo Gabriel, na tradição católica, é entendido como o mensageiro que leva as “boas novas”. Para Laudiceia Pereira, 20 anos, foi no projeto Anjo Gabriel que conseguiu uma “boa nova” para um momento de grande necessidade. “Hoje essa ajuda vem numa boa hora. Neste momento não tenho condições de comprar álcool e máscaras para que eu possa me cuidar desse vírus”, confessou. 

Outra “boa nova” da vida de Laudiceia é a gestação de 8 meses de seu primeiro filho. “Tem sido muito difícil pensar nesse mundo para o meu filho, quero que tudo melhore logo para a chegada dele”, concluiu a gestante. Laudiceia está separada, desempregada e não recebe auxílios sociais, estava sozinha na fila esperando conseguir as doações para ela, e também para sua mãe e seus dois irmãos.       

Para realizar a entrega das doações, as famílias contempladas eram contactadas previamente, pelo Centro de Referência da Assistência Social (CRAS), onde cada pessoa passa por um atendimento de filtragem de suas informações dentro de um sistema unificado que articula a assistência social, escolas e CRAS do município. 

Ao fim de todo o processo Laudiceia conseguiu as doações para toda sua família. “Estava preocupada com os próximos meses, mas essa ajuda é muito importante para nossa família”, disse. Para carregar as duas cestas básicas Laudiceia contou com ajuda de Gilmar Júnior, 26 anos, um dos voluntários da atividade na entrega das doações.

Gilmar é morador do Jardim Canadá e resolveu ajudar durante o mutirão para contribuir com sua comunidade. “Nossa vida tem sido muito difícil, principalmente porque um riacho poluído passa aqui no bairro e quando chove ele traz muita doenças para os moradores. E em nossa realidade, atividades como a de hoje faz o pessoal pensar em higiene e aos poucos melhorar nosso bairro”, avaliou o morador.

Realidades e necessidades distintas expõem os grandes desafios frente a COVID-19. E histórias como das amigas e colegas de faculdade Evelin Rodrigues, 21 anos, e Adrieli Lima, 23 anos, refletem essa realidade. Elas vieram de Rondônia e Amazonas para cursar a faculdade de Biotecnologia, na Universidade Federal da Integração Latino-americana. No contexto da pandemia e com as aulas interrompidas, a distância de seus familiares fez a preocupação e as dificuldades aumentarem. “A cesta básica e os itens de higiene serão ótimos agora, porque estamos sozinhas em Foz do Iguaçu e sem poder trabalhar”, afirmou Evelin. 

Para a manauara Adrieli a preocupação é ainda maior por conta dos números elevados de casos do novo coronavírus em Manaus. “Não posso voltar pra casa, porque as viagens estão muito perigosas. Na minha família todos já pegaram a COVID-19, tenho muita saudade, apesar disso acredito que estou mais segura aqui”, relatou Adrieli.  


Servidores municipais de São Miguel do Iguaçu realizarão a entregue de kits de limpeza na reserva indígena Ava-Guaraní (Foto: UNFPA Brasil)

O mutirão realizado tem entregue uma média de 400 cestas básicas diariamente em regiões distintas de Foz do  Iguaçu. O mutirão iniciou em maio, e a programação vai até final de junho. O UNFPA, através do projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná, também entregou nesta semana uma doação de itens de limpeza para população da Reserva Indígena Santa Rosa do Ocoy, em São Miguel do Iguaçu. A reserva indígena Avá-Guarani recebeu, através de servidores da Prefeitura Municipal de São Miguel do Iguaçu, uma remessa de doações ao posto de saúde contendo balde plástico, sabão em pó, desinfetante, luvas de limpeza, sabão em barra, água sanitária, esponja, detergente, vassoura, panos de chão, papel higiênico, rodo, álcool gel 70% e máscara de proteção.

 

Texto: Guilherme Cruz