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Programa de enfrentamento à violência contra mulheres e meninas é iniciado em Samambaia (DF)

3 Março 2020
A Administração Regional de Samambaia foi o primeiro local a ser visitado (Foto: UNFPA Brasil/Giselle Cintra)

Nesta terça-feira, 3, a secretaria da Mulher, UNFPA e líderes comunitárias percorreram equipamentos públicos da região administrativa

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) tem mobilizado a comunidade internacional para o alcance de uma meta ambiciosa até 2030: zero necessidades insatisfeitas de contracepção, zero mortes maternas evitáveis e zero violências ou práticas nocivas contra mulheres e meninas. Diante disso, o UNFPA Brasil, a Secretaria da Mulher juntamente com líderes comunitárias da região administrativa de Samambaia visitaram, nesta terça-feira, 3, equipamentos públicos de denúncia e apoio às vítimas de violência doméstica.

Representando o UNFPA no evento, a oficial de programa para Equidade de Gênero, Raça e Etnia, Rachel Quintiliano, diz que para acabar com a violência contra mulheres e meninas, é necessário buscar o fortalecimento das instituições e serviços. “A violência contra mulheres e meninas é provavelmente a violação de direitos humanos mais difundida do mundo, além de ser um grave problema de saúde pública, que ocorre em diversas classes sociais. É preciso garantir que as mulheres tenham informação, acesso a serviços e segurança para decidir sobre os rumos de sua próprias vidas”, destaca Quintiliano.

De acordo com a secretária da Mulher do Distrito Federal, Ericka Filippelli, “a população precisa conhecer os equipamentos públicos, ter acesso e saber como funciona, mas é também importante que os equipamentos estejam preparados para receber essas mulheres e que tenham condições de atender a população”.

O programa ‘Jornada Zero Violência contra Mulheres e Meninas’ tem por objetivo mobilizar a sociedade e articular uma rede de enfrentamento à violência contra a mulher nas regiões administrativas do Distrito Federal. O programa-piloto teve início na cidade administrativa do Paranoá e dessa vez se estendeu para Samambaia.

“Infelizmente Samambaia teve casos de feminicídios e prontamente a administração procurou a Secretaria da Mulher para apresentar o programa. É muito importante que a comunidade saiba quais são os equipamentos públicos que pode ser atendida. E à medida que o programa é divulgado, melhor conseguimos enfrentar o feminicídio”, observa Gustavo Aires, administrador regional de Samambaia.

Diversos equipamentos públicos da cidade foram visitados e estão envolvidos na ação mobilizadoras, como por exemplo: Administração Regional do Paranoá, Programa de Prevenção e Atendimento às Pessoas em Situação de Violência (PAV) Orquídea, Centro de Referência de Assistência Social (Cras), Prevenção Orientado à Violência Doméstica e Familiar (PROVID), Núcleos de Atendimento às Famílias e aos Autores de Violência Doméstica (NAFAVD) e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

A psicóloga do PAV de Samambaia, Thereza Lemos de Alcântara Cavalcante, explica e aponta a importância de um órgão público como o Programa de Prevenção e Atendimento às Pessoas em Situação de Violência. “O PAV atende qualquer pessoa que tenha sofrido toda e qualquer tipo de violência.O grande diferencial do atendimento especializado é o olhar sensível diante das situações de violência, porque antigamente não havia um atendimento especializado, e quanto temos o olhar específico para a situação, minizamos muitos dos casos de violência no futuro da pessoa, como relacionamentos abusivos e práticas tóxicas de naturalização da violência”, afirma a psicóloga.

Para a líder comunitária e ativista social, Dória Freitas, é importante existir uma corrente de informação para enfrentar a violência contra a mulher. “Tendo em vista a quantidade de assassinatos cometidos contra a mulher, é importante conscientizar a comunidade sobre estes equipamentos. O trabalho do Jornada Zero é justamente aproximar a comunidade com a segurança pública, para isso, precisamos ser empoderadas para correr atrás de informação e passar para outras pessoas, e com isso, criar uma corrente passando informação uma para outra”, conclui a líder comunitária.

Texto: Giselle Cintra