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Parceria com apoio do UNFPA leva incentivo e reconhecimento ao povo Warao em Roraima

3 Novembro 2017
A partir desta sexta-feira (03/11), o Centro de Atendimento ao Turista da Orla Taumanan em Boa Vista (RR) terá um espaço permanente para exposição e venda de artesanato do povo indígena Warao. Colares, pulseiras, redes de fibra de buriti e cestarias feitas principalmente por mulheres desta etnia poderão ser vistos e comprados no prédio da Intendência da Orla, um dos pontos mais turísticos da capital de Roraima.
 
A inauguração do espaço será celebrada pela exposição “Warao - Gente da Água, Em Movimento”, que reúne fotografias, desenhos e grafismos, e ficará em exibição até o dia 03 de dezembro. O lançamento acontece às 18h desta sexta-feira (03/11), com a presença das artesãs e artesãos Warao.
 
Esta iniciativa é uma parceria da Universidade Federal de Roraima (UFRR), por meio da Rede Acolher e do Centro de Capoeira, com as agências das Nações Unidas ACNUR, OIM e UNFPA, a organização não-governamental Fraternidade – Federação Humanitária Internacional e a Prefeitura de Boa Vista.
 
Desde 2014, a instabilidade na Venezuela vem forçando o povo Warao a se deslocar para o Brasil, percorrendo pouco mais de 1.000 km até cruzar a fronteira e chegar ao Estado de Roraima, por via terrestre e fluvial. Estima-se que cerca de 550 indígenas Waro estejam abrigados atualmente no Estado de Roraima, entre a cidade fronteiriça de Pacaraima e a capital, Boa Vista.
 
Em Boa Vista, a maioria vive no Centro de Referência ao Imigrante (CRI), no bairro Pintolândia. É lá que confeccionam o artesanato, sua principal fonte de renda. Matérias primas como miçangas, tecido e fibra de burit, são fornecidas às artesãs e artesãos pelo ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) e pela ONG Fraternidade.
 
“Com esta intervenção cultural, vamos conhecer um pouco mais da história do povo Warao, que chegou há pouco tempo e já faz parte do cotidiano do boa-vistense. Nossa cidade é formada pela mistura de várias culturas, e é essa diversidade que nos torna únicos”, explica a professora Julia Camargo, uma das coordenadoras da Rede Acolher, projeto de extensão da UFRR que apoia a população venezuelana em Boa Vista.
 
A OIM (Organização das Nações Unidas para Migrações), por sua vez, promove oficinas de costura para os indígenas Warao, em parceria com a COOFECS (Cooperativa de Empreendimento Solidários de Boa Vista) e com a Igreja Metodista. Na parte de comercialização e divulgação, mantém o mostruário no prédio da Intendência de Turismo de Boa Vista, em parceria com Superintendência de Turismo da FETEC (Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura), e uma barraca permanente na Expoarte no Parque Anauá, em parceria com a ONG Fraternidade.
 
Todas essa iniciativas buscam a integração e inclusão laboral dos indígenas, com a valorização de sua cultura. Essa foi uma das formas encontradas entres as instituições parceiras e os próprios indígenas para proteger mulheres e crianças, tirando-as das ruas e dando oportunidade para desenvolver atividades tradicionais de sua cultura e garantir uma fonte de renda.
 
Além de artesanatos e roupas tradicionais, a exposição contará com desenhos e grafismos realizados durante oficinas lúdicas da Rede Acolher (da UFRR) com crianças e adultos Warao. As fotografias, por sua vez, revelam o cotidiano deste povo em Boa Vista, a força da sua cultura e a inserção social no novo país por meio de projetos, como as aulas de capoeira para crianças, promovidas pelo Centro de Capoeira da UFRR. A organização e curadoria da exposição contou com o apoio técnico do UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas).