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Papel da Cooperação Sul-Sul para o empoderamento das mulheres e igualdade de gênero é tema de evento paralelo na CSW 60

24 Março 2016

Nova York - Termina hoje a 60ª sessão da Comissão sobre o Status da Mulher (CSW), iniciada no último dia 14, e que reuniu delegações de todo o mundo para discutir dois temas principais - o empoderamento das mulheres e sua relação com o desenvolvimento sustentável e a eliminação e prevenção de todas as formas de violência contra mulheres e meninas.

O UNFPA organizou, em parceria com o governo brasileiro, a ONU Mulheres e o Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID), o evento paralelo “Promovendo o empoderamento das mulheres e igualdade de gênero no marco da Agenda 2030 - O papel das parcerias inovadoras entre governos e agências das Nações Unidas”. O evento abordou as formas inovadoras de parceria em diferentes âmbitos da cooperação Sul-Sul, triangular e multilateral para implementação do Programa da CSW, visando alcançar as metas da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, em especial as metas relacionadas ao Objetivo 5 (alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas).

O evento contou contou com a participação da secretária de Políticas do Trabalho e Autonomia Econômica das Mulheres do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos do Brasil, Tatau Godinho; do representante permanente do Brasil junto às Nações Unidas, embaixador Antônio Patriota; da sub-secretária de Estado do DFID, Baronesa Verma; da ministra de Gênero, Criança e Ação Social de Moçambique, Cidália Chaúque; da diretora executiva adjunta do UNFPA, Laura Londén; e da diretora executiva adjunta da ONU Mulheres, Lakshmi Puri.

Em sua fala durante a abertura do evento, o embaixador Antônio Patriota ressaltou a importância das cooperações entre os países para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “O Brasil se orgulha de ter esforços conjuntos com os governos do Reino Unido, Moçambique e do Sistema das Nações Unidas para estabelecer uma parceria de desenvolvimento inovador (...). Este tipo de troca nos permite entender melhor como os países de diferentes regiões e origens podem trabalhar em parceria para promover e impulsionar o empoderamento das mulheres, em nível nacional, regional e global. Outro aspecto relevante do projeto é a integração transversal das questões, reunindo agências da ONU e atores do governo nos níveis regionais e nacionais para melhor alinhamento e uma coordenação mais estreita”.

Por sua vez, Tatau Godinho salientou a importância das novas parcerias no contexto de cooperação e acrescentou que elas “têm sido muito ricas para ajudar os países a atingir as metas da nova Agenda da ONU”.

A sub-secretária do DFID, Baronesa Verma, alertou para a importância da mudança das normas sociais cotidianas para que todos possam entender que não se pode viver em um mundo onde exista violência contra as mulheres. “Não podemos desejar o empoderamento das mulheres sem que elas primeiramente tenham liberdade e direitos sobre seus corpos”. Ela falou ainda sobre a necessidade de mais investimentos para que a igualdade de gêneros seja alcançada e todas as mulheres possam ter seus direitos assegurados. “Temos metas ambiciosas e precisamos acreditar nesta mudança. Precisamos de mais relações entre os países como o Brasil, Moçambique, Reino Unido e as agências da ONU. Vamos dividir os conhecimentos e ajudar uns aos outros”.

A ministra Cidália Chaúque afirmou estar consciente da importância da parceria entre os três países e o Sistema ONU. “Acreditamos que só será possível alcançar as metas através do compartilhamento de informações e conhecimentos entre os países. Esta parceria irá impulsionar as políticas de empoderamento das mulheres e a igualdade de gênero”.

A diretora executiva adjunta da ONU Mulheres, Lakshmi Puri, reforçou a importância da cooperação entre os países e acrescentou que “nós sabemos que uma agenda como essa deve ser incorporada pelos governos e seus parceiros, mas ela não será aplicada na prática sem o apoio e ação da sociedade civil”. Ela acrescentou que hoje existe um esforço coletivo em todo o mundo para implementação das metas de igualdade de gênero e empoderamento das mulheres. E concluiu dizendo que “sabemos que esta é uma agenda complexa mas não podemos esperar mais um século por igualdade e direitos. É uma agenda urgente”.

 

A  diretora executiva adjunta do UNFPA, Laura Londén, concluiu o evento reforçando o comprometimento do UNFPA para que os países possam alcançar as metas da Agenda 2030. “A igualdade de gênero, a saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos são fundamentalmente importantes para alcançar plenamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O UNFPA está empenhado em contribuir para esses objetivos ‘sem deixar ninguém para trás’”.

Ao ressaltar formatos inovadores de parceria, tanto o representante do Brasil quanto a representante do UNFPA destacaram o pioneirismo do projeto “Brasil-África: lutar contra a pobreza e empoderar mulheres via Cooperação Sul-Sul”, desenvolvido por PNUD no Brasil, Centro Internacional de Políticas para Crescimento Inclusivo (IPC-IG), UNFPA e ONU Mulheres, em apoio à Cooperação entre o governo de Moçambique e o governo do Brasil. O projeto tem como objetivo promover o aumento da capacidade de Moçambique de promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas, inspirados em experiências brasileiras relevantes.

Texto: Mariana Tavares/UNFPA Brasil
Fotos: Missão do Brasil junto à ONU