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Oficial para assuntos humanitários do Fundo de População da ONU ministra aula magna na Universidade Federal de Roraima

17 De setembro de 2019
Estudantes acompanharam aula magna com Irina Bacci (Yareidy Perdomo/UNFPA Brasil)

Na segunda-feira, 9, a oficial de programa para Assuntos Humanitários do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Irina Bacci, ministrou uma aula magna sobre migração e direitos LGBTI na Universidade Federal de Roraima (UFRR). A aula faz parte da programação comemorativa dos trinta anos da universidade com o tema “Unidos Pela Diversidade”, marcando o começo do segundo semestre letivo de 2019. 

 

A aula dialogou com a comunidade universitária acerca dos desafios e oportunidades da agenda de população e desenvolvimento, no marco dos 25 anos da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (CIPD), realizada em 1994. A oficial ressaltou sobre os pontos em comum do Programa de Ação do Cairo, pactuado por 179 países na Conferência, com as temáticas migratórias e direitos LGBTI. “A CIPD representou uma mudança de paradigma na forma como a dinâmica populacional passou a ser observada, ao apresentar diretos e escolhas como eixo central do debate. Muitas pessoas enfrentam marginalização e estigma que podem resultar em barreiras significativas no acesso à saúde sexual e reprodutiva e à realização de direitos e escolhas. A estigmatização pode impedir que pessoas procurem os serviços de que precisam e aos quais têm direito e, consequentemente, aumenta o risco de violência sexual, gravidez não intencional, infecções sexualmente transmissíveis e ao HIV. A marginalização também leva a violência e ao deslocamento forçado”, ressaltou.

 

De acordo com o Relatório da Situação da População Mundial 2019, as pessoas mais vulneráveis e que não podem ser deixadas para trás incluem a comunidade LGBTI, pessoas com deficiência e adolescentes. A população migrante e refugiada também se insere neste contexto por somar vulnerabilidades.

 

“As crises aumentam a vulnerabilidade de mulheres, meninas e pessoas LGBTI, e constituem uma ameaça às suas vidas. Devido a urgência inicial de fornecer comida, abrigo e necessidades básicas, as específicas de proteção podem ser negligenciadas, bem como a disponibilidade de serviços. Desta forma,  essas pessoas estão expostas a um risco muito maior de exploração, violência e abuso. As mulheres e meninas cis ou trans são particularmente vulneráveis ao tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual e trabalho forçado, um ilícito negócio multimilionário”, completa Irina


Irina falou sobre migrações e direitos no contexto da CIPD (Yareidy Perdomo/UNFPA Brasil)

 

“Criamos o slogan Unidos pela Diversidade porque a gente sabe que, nesse momento, estamos vivenciando fluxos migratórios diversos. Ter a confluência de culturas é uma razão para comemorar os trinta anos da universidade, além de conectar a população com dois assuntos que são muito importantes: migração e população LGBTI”, explica a professora do curso de Jornalismo da UFRR, Lisiane Machado.

 

“Ter uma visita como essa é importante para ter outro olhar e debater sobre os temas relacionados à população LGBTI. No nosso estado temos altos números de agressões contra pessoas LGBTI, por isso é tão importante falar sobre esse tema. A aula demonstrou para nós que é possível sim transformar o mundo, fazer o mundo melhor por meio da sua profissão”, disse Fabricio Araújo, estudante de Comunicação Social da UFRR.