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Mulheres refugiadas e migrantes de Roraima são foco de campanha da ONU Mulheres e do UNFPA na pandemia Covid-19, com apoio do Governo de Luxemburgo

20 Maio 2020
Participe da campanha compartilhando as peças de mídia social com as hashtags #RespostaCovidComAsRefugiadas e #RespostaCovidComAsMigrantes

De 22 de abril até o final de maio, ONU Mulheres e UNFPA, com apoio financeiro do Governo de Luxemburgo, divulgam nas redes sociais conteúdos informativos sobre saúde, prevenção e eliminação da violência contra as mulheres e compartilhamento das tarefas de cuidados familiares. Em Roraima, campanha acontece por meio da distribuição de materiais da campanha em abrigos e ocupações espontâneas para aumentar a consciência sobre os direitos das mulheres e meninas

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) trouxe novas dinâmicas na prestação de serviços públicos em todo o mundo. Para mulheres refugiadas, migrantes e solicitantes de asilo, os serviços públicos são fundamentais para que elas possam organizar a sua vida em abrigos e ocupações durante o período de distanciamento social.  Em Roraima, o trabalho da força-tarefa de comunicação com as comunidades, liderada pela ONU Mulheres, UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas no Brasil) e ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), como parte do programa Liderança, Empoderamento, Acesso e Proteção (LEAP), com financiamento do governo de Luxemburgo, está sensibilizando comunidades refugiadas e migrantes sobre a Covid-19.  Cerca de 5,8 mil venezuelanas e venezuelanos vivem em 13 abrigos e 3.822 estavam desabrigados em março de 2020, vivendo em 19 ocupações espontâneas, espaços comunitários ou em situação de rua.

Temas como saúde, prevenção e eliminação da violência de gênero e compartilhamento de tarefas e cuidados com a família são acentuados na Covid-19, inclusive em abrigos e ocupações de refugiadas e refugiados. São questões de gênero que estão sendo abordadas na campanha de sensibilização #RespostaCovidComAsRefugiadas #RespostaCovidComAsMigrantes, iniciada em 22 de abril, pela ONU Mulheres e pelo UNFPA. Nas redes sociais, os conteúdos serão divulgados até o final de maio.

“A pandemia representa mais trabalho para as mulheres refugiadas nos abrigos. Homens e mulheres precisam seguir juntas e juntos nas tarefas de higiene pessoal, limpeza no lugar onde vivem e no cuidado da família”, diz a representante da ONU Mulheres Brasil, Anastasia Divinskaya. A continuidade de resposta de serviços públicos, como os de saúde, são fundamentais para assegurar os direitos básicos de mulheres e meninas.

De acordo com Astrid Bant, representante do UNFPA no Brasil, “as mulheres grávidas necessitam ser tratadas com a máxima prioridade. Para proteger as gestantes e seus recém-nascidos, as unidades de saúde devem ser separadas dos casos identificados da Covid-19”.

Comunicação nas comunidades

Na primeira fase de ação, a força-tarefa de comunicação com as comunidades, liderada por ONU Mulheres, UNFPA e ACNUR, em parceria com outras agências e organizações da sociedade civil, desenvolveu roteiros de sensibilização que comunicavam informações sobre prevenção, monitoramento de sintomas e resposta à Covid-19. Esses roteiros tiveram como objetivo principal a sensibilização de pessoas migrantes e refugiadas dentro de abrigos e ocupações espontâneas. Este diálogo envolveu a gestão desses abrigos e lideranças das ocupações, com o apoio de organizações da sociedade civil e agências da ONU.

Atualmente, além dos 13 abrigos com gestão da Operação Acolhida, existem 19 ocupações espontâneas e espaços comunitários mapeados pela ONU. Essas ocupações são, normalmente, prédios públicos ou privados que estavam inutilizados. Hoje, são habitados por pessoas migrantes e/ou refugiadas. Muitas dessas ocupações possuem organização própria, com lideranças definidas e comitês estabelecidos. A ONU não possui a gestão dessas ocupações, mas presta apoio e serviços. Assim como as Forças Armadas, que atuam em 15 localidades, as equipes das Nações Unidas fazem rondas, sensibilizam, oferecem doações e prestam atendimento médico para a comunidade.

Agora, na segunda rodada de sensibilização, o trabalho envolve grupos específicos e comunicação mais segmentada. Entre eles, estão o grupo das mulheres e o grupo de gestantes e lactantes, que necessitam de informações específicas dado o contexto diferenciado que estão vivendo.

Neste momento, a ONU Mulheres, o UNFPA e o ACNUR, em parceria com outras agências e organizações da sociedade civil, estão trabalhando na segunda rodada de abordagem, distribuindo materiais de comunicação nas ocupações espontâneas, nos espaços comunitários e dentro dos abrigos. Além disso, estão identificando as lideranças comunitárias que podem ficar responsáveis por ajudar na sensibilização e na comunicação com as comunidades.

De acordo com Tamara Jurberg, gerente de Liderança e Participação em Ação Humanitária da ONU Mulheres, baseada em Roraima, o papel da comunidade é extremamente importante. “Estamos no meio desse processo que é constante. Utilizamos os materiais de comunicação desenvolvidos pela ONU Mulheres e pelo UNFPA para trazer as especificidades das mulheres no geral e das gestantes e lactantes em específico nesse momento de crise. A ONU conta com a comunidade e suas lideranças para que tenhamos uma via de mão dupla nesse processo. Nós, da ONU, trazemos as informações, entendemos quais são as necessidades das comunidades e repassamos para as lideranças as melhores maneiras de comunicá-las dentro dos abrigos, ocupações espontâneas e espaços comunitários. Nossa proposta é proporcionar um retorno rápido e efetivo para as comunidades”.