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Mulheres indígenas de ocupação em Boa Vista participam de atividade e recebem Kits Dignidade

18 Junho 2019
As especialistas em violência baseada em gênero e em saúde sexual e reprodutiva, Patrícia Ludmila e Leila Rocha, organizaram a roda de conversa (Foto: UNFPA Brasil/Rafael Sanz)

A equipe do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) visitou, em 10 de junho, a ocupação Kau’banoko, que abriga mulheres venezuelanas migrantes e refugiadas dos povos indígenas Warao e Inepá em Boa Vista, Roraima. As especialistas em violência baseada em gênero e em saúde sexual e reprodutiva, Patrícia Ludmila e Leila Rocha, respectivamente, organizaram uma roda de conversa e promoveram a distribuição de Kits Dignidade. Ao todo, participaram 50 mulheres.

O primeiro contato com a comunidade, que vive em situação de vulnerabilidade, foi feito em parceria com a Pastoral da Criança. Na ocasião, O UNFPA apresentou a ideia de desenvolver uma atividade sobre como prevenir e oferecer respostas para a violência baseada em gênero, além de mapear as demandas em saúde sexual e reprodutiva, proposta muito bem recebida pelas lideranças do local, que ajudaram a proporcionar o encontro.

“A atividade foi muito bem recebida pelas mulheres. Todas participaram ativamente das dinâmicas. É visível que, apesar das diferenças, há respeito e convivência pacífica entre elas. Demonstraram interesse em conhecer mais sobre o tema, assumiram o compromisso de fortalecer o sentimento de grupo entre elas e afirmaram que desejam, sim, um vida sem violência. Materiais informativos foram distribuídos entre as presentes e acertamos que as ações terão continuidade. Plantamos uma semente”, afirma Patrícia Ludmila.

Saúde sexual e reprodutiva
Saúde sexual e reprodutiva é um dos eixos do trabalho UNFPA no programa de Assistência Humanitária. Em contextos de emergência, pessoas em deslocamento forçado, principalmente mulheres, são mais vulneráveis à violência sexual, infecções sexualmente transmissíveis e gravidezes não intencionais. Na ausência de serviços adequados de obstetrícia, há um alto índice de mortes maternas e complicações relacionadas ao parto. 

Entre as mulheres que participaram da atividade na ocupação Kau’banoko, oito estavam grávidas e três não passaram por atendimento pré-natal. “Essas mulheres foram orientadas sobre a importância desse acompanhamento e foram direcionadas para uma unidade de saúde básica para fazer cartões do Sistema Único de Saúde e ao posto de triagem da Operação Acolhida para emitir documentos como a Carteira de Trabalho. Além disso, garantimos a entrega de Kits Dignidade para todas. Essa ação nos ajuda a garantir que elas tenham mais atenção com a saúde neste momento tão sensível, que é o da gravidez”, lembra Leila Rocha.