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Mulheres das etnias Warao, Eñepa e Macuxi passam a integrar equipe do UNFPA em Roraima

22 Dezembro 2020
Mulheres indígenas das etnias Warao, Eñepa e Macuxi passa a integram equipe do UNFPA em Roraima (Foto: Pedro Sibahi/UNFPA)

Buscando melhorar o atendimento e as ações de disseminação de informações junto à população refugiada e migrante acolhida em Roraima, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) contratou no mês de dezembro de 2020 seis mulheres indígenas de origem venezuelana, das etnias Warao e Eñepa, para atuarem como facilitadoras culturais. Além disso, a antropóloga Melina Carlota Pereira, da etnia Macuxi, também passou a integrar a equipe para elaborar estratégias que potencializem as ações junto à população indígena.

O oficial de escritório do UNFPA em Roraima, Igo Martini, destaca que “aspectos culturais e de linguagem são os principais desafios que pessoas indígenas enfrentam para acessar serviços e informações no campo dos direitos e da saúde sexual e reprodutiva. As mulheres que já estão atuando como facilitadoras culturais possibilitam uma comunicação mais efetiva com a população beneficiária. Além disso, a antropóloga Melina Pereira realizará um diagnóstico para identificar as necessidades em saúde sexual e reprodutiva das mulheres indígenas das etnias Warao, Eñepa e Pemon em contexto migratório, nos municípios de Pacaraima e Boa Vista, em Roraima, e na cidade de Manaus, no Amazonas, a fim de gerar evidências e subsidiar elaboração de resposta estratégica com base nas especificidades de cada povo”.

Melina, que pesquisa sobre mulheres indígenas fora do contexto da comunidade, em situação de deslocamento, conta que “falar de saúde sexual e reprodutiva das mulheres indígenas está sendo um desafio, porque são outras formas possíveis de ser mulher, e dar essa visibilidade para aumentar a potencialidade da atuação do UNFPA também está me possibilitando me reafirmar enquanto mulher indígena com elas, através delas, do que elas pensam. São elas que vão nos dar elementos para ajudar a construir uma estratégia de atuação”.

As facilitadoras culturais são Celia del Valle Baez Tejerina, 42 anos; Herminia Nunes de Mariano, 56 anos; Karlina Maria Gonzales Torres, 31 anos; Leany Gabriela Torres Moraleda, 30 anos; Yolimar Elizabeth Ávila, 24 anos, todas da etnia Warao. Também há Sara Gando, 44 anos, da etnia Eñepa. Elas já estão atuando junto às equipes de saúde sexual e reprodutiva e de enfrentamento à violência de gênero, auxiliando tanto nos atendimentos individuais como nas atividades coletivas como palestras e dinâmicas de grupo.

“Estão me dando a oportunidade de fazer palestras com mulheres que realmente precisam”, disse Karlina. “Falar sobre gravidez, gravidez não desejada, atender cada mulher, falar sobre violência contra as mulheres. E assim falar com cada mulher da nossa comunidade, como indígena Warao, e apoiar a cada mulher”, acrescentou ela.

Yolimar Ávila conta que os temas de saúde sexual e reprodutiva são uma novidade para ela, mas que o trabalho é fundamental. “Na Venezuela nunca haviam falado destes temas, nunca haviam  trabalhado estas questões com nós, mulheres indígenas, porque já eram temas muito profundos para nós, porque nos sentíamos muito envergonhadas. Mas acredito que o UNFPA soube chegar e ver um tema tão importante que vai transmitir para as mulheres indígenas e nós soubemos como receber esta mensagem, soubemos entender o que querem transmitir e ensinar é algo primordial para nós, mulheres indígenas”.