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Lançamento do Novo Plano Juventude Viva debate a violência letal contra a juventude negra

4 Dezembro 2018
O UNFPA participou do lançamento do Plano Juventude Viva (UNFPA Brasil/Rachel Quintiliano)

O mês da Consciência Negra no Brasil foi fechado com o lançamento do novo Plano Juventude Viva, principal estratégia do Governo Federal para a redução da vulnerabilidade contra a juventude negra. O evento aconteceu, nesta sexta-feira (30), reunindo membros do governo, Sistema ONU e sociedade civil na Casa do Olodum, em Salvador.

Segundo o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência 2017, pesquisa contratada pela SNJ em parceria com a UNESCO ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dos quase 60 mil homicídios que ocorrem anualmente no país, 54,1% são acometidos contra jovens, dos quais 71% são negros ou negras. Além do impacto de dor, sofrimento e prejuízo social na população, o impacto é financeiro. Estima-se que em 2010 a violência letal entre jovens custou ao país mais de R$ 80 bilhões, o que correspondeu a 1,5% de todo o PIB brasileiro.

De acordo com o representante do Fundo de População das Nações Unidas no Brasil, Jaime Nadal, as desigualdades e o não reconhecimento dessas populações e dos processos de exclusão que estão submetidas permite que o racismo opere de forma sofisticada e se constitua como um instrumento de manutenção dessa indesejável realidade. O UNFPA participou do lançamento do Plano Juventude Viva, que criado em 2012, desativado no ano de 2015 e agora retomado.

“É fundamental que todas as esferas sociais tomem medidas práticas e concretas na busca pela adoção e implementação efetiva de parâmetros legais nacionais e internacionais, políticas e programas para o combate ao racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerâncias relacionadas que são enfrentadas pela população afrodescendente, levando em consideração a situação específica de mulheres, meninas e homens jovens”, disse o representante.

Para o secretário nacional de juventude, Assis Filho "é inadmissível que a cada 23 minutos um jovem negro seja assassinado no Brasil. O índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência (IVJ) mostra que somente pelo fato de a pessoa ser jovem e negra, ela tem 2,7% de chances a mais de ser assassinada. São estatísticas que sempre nos incomodou, mas estamos aqui para mudar esse cenário”, finalizou.

Araújo Júnior, secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial destacou que "o plano representa toda a luta do povo negro. Nós vamos eliminar o racismo no Brasil por meio de políticas públicas permanentes e efetivas. A luta não é só do negro, ela é de todos nós!”, afirmou.

O novo Plano Juventude Viva, estruturado pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) é um conjunto de esforços a serem implementados nos territórios com maior vulnerabilidade juvenil. A principal meta é reduzir os índices de violência por meio de estratégias que estimulem a inclusão social destes jovens: acesso à educação, lazer, trabalho e capacitação profissional. 

A iniciativa dialoga com ações das diversas agências que compõe o Sistema ONU, unidas na prevenção à violência contra as juventudes negras. Entre as ações, se destaca a Campanha Vidas Negras, lançada em novembro de 2017. O objetivo da campanha é sensibilizar sociedade, gestores públicos, sistema de Justiça, setor privado e movimentos sociais, a respeito da importância de políticas de prevenção e enfrentamento à discriminação e violências raciais.

Participaram da cerimônia de lançamento do Plano, o secretário nacional de juventude, Assis Filho, o secretário nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Juvenal Araújo Junior, o representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Jaime Nadal Roig, o representante dos gestores de Juventude da Bahia, Jabes Soares,  o coordenador de Políticas da Juventude de Salvador, Rafael Oliveira, o presidente do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), Edglei Alexandre,  a secretária do estado de Juventude do Maranhão, Tatiana Pereira, o presidente do Olodum, João Jorge,  o gestor e gerente da Planeta Olodum e representante da Juventude Olodum, Marcus N’Krumanh, outros gestores públicos e membros da sociedade civil organizada.

* Com informações da Secretaria Nacional de Juventude.