Você está aqui

Juventude negra debate sobre engajamento,racismo algorítmico e captação de recursos em oficinas promovidas pelo Fundo de População da ONU

O Fundo de População das Nações Unidas no Brasil (UNFPA), no âmbito do projeto Redes&Raízes, reuniu cerca de 19 jovens representantes de organizações, coletivos e iniciativas das juventudes negras para participarem de oficinas formativas. A ação começou na última  terça-feira, 17, e vai finalizou  nesta quinta-feira, 26/11.

Buscando fortalecer habilidades de resiliência, advocacy e capacidades organizacionais para as juventudes negras no Brasil, jovens participaram da primeira oficina que teve como tema ‘Como utilizar as mídias sociais como ferramenta de engajamento?’. Este momento contou com a participação de Bruna Rocha, jornalista e assessora de comunicação do Programa Corra pro Abraço.

“Não tem como pensar nosso engajamento nas redes sem compreender onde estamos pisando”. Bruna Rocha abordou sobre engajamento nas redes e explicou sobre o conceito de hackeamento social. Hackeamento social são estratégias discursivas para ampliar o engajamento, por exemplo, uma foto de uma pessoa famosa com uma frase de efeito é algo que pode gerar engajamento. São atalhos, mas não podem ser a estratégia principal porque perdem o sentido. Não é apenas para ganhar seguidores, e sim para convencer pessoas sobre novos projetos de sociedade”.

Na segunda oficina que ocorreu nesta quarta-feira, 18, os e as jovens puderam debater também sobre Racismo Algorítmico. A oficina contou com a participação de Nina da Hora, colunista do MIT Technology Review. “As tecnologias que usamos hoje foram tecnologias pensadas por pessoas que tinham somente uma perspectiva de vida, na maioria das vezes essa perspectiva é de uma pessoa branca, e isso acaba enviesando no que estiver criando e vai impactar pessoas na sociedade. O racismo algorítmico não tem uma definição fechada, ele é uma consequência do racismo e das pessoas que estão ocupando lugares de decisão dentro da tecnologia”.

Kézia Nunes, representante do projeto Caleidoscópio Jovem, comentou: “A cada dia, a gente vai entendendo mais as facetas do racismo, porque em uma sociedade estruturada pelo racismo, ele vai estar presente em todos os espaços, mesmo que ainda não tenhamos nos atentado”

A terceira oficina que encerrou as formações, na quinta-feira (26), teve como tema a Captação de Recursos, e contou como convidada Selma Moreira, Diretora Executiva no Fundo Baobá para Equidade Racial. .

Selma Moreira mostrou um passo a passo para que as entidades possam se afirmar, citando por exemplo, a criação de alinhamentos institucionais estratégicos. Além de construir um planejamento orçamentário, um plano de mobilização de recursos buscando pessoas e parceiros para dialogar e criar estratégias de captação. 

“O trabalho de captações de coletivos possuiu uma camada há mais, que é a camada da barreira jurídica. Existe o desafio do tempo presente, as organizações não estão preparadas para lidar com coletivos. É uma questão do nosso modelo jurídico, muitas vezes o projeto tem conexão, mas não tem institucionalidade.” Para Selma Moreira o ambiente e a visão de empresas estão em transformação e as organizações da sociedade civil podem auxiliar esse processo.  

“Quando não deu mais para negar que as relações de gênero são críticas nas empresas, ou sobre as relações raciais e de poder não se torna possível utilizar somente a perspectiva da desigualdade. Então, parte do nosso trabalho é construir caminhos e deixar nítido para as instituições que esses pontos não devem ser encarados de maneira superficial” complementou. 

 

Projeto Redes&Raízes

O UNFPA está implementando o projeto Redes e Raízes em parceria com o Observatório da Juventude do UNFPA, cujas ações são voltadas para as juventudes negras. O projeto Redes&aRaízes tem como objetivo fortalecer as ações lideradas no Brasil por meio do apoio ao desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias de resiliência, advocacy, formação e liderança. O projeto integra-se a uma estratégia regional do UNFPA para ampliação da participação no processo de desenvolvimento sustentável, reconhecida como fundamental para o enfrentamento ao racismo.

 

_____________________________

VOCÊ JÁ OUVIU O PODCAST "FALA, UNFPA"?

O Fundo de População das Nações Unidas no Brasil lançou o podcast "Fala, UNFPA" que aborda temas como saúde sexual e reprodutiva, equidade de gênero, raça e etnia, população e desenvolvimento, juventude, cooperação entre países do hemisfério sul e assistência humanitária. Tudo isso, claro, a partir de uma perspectiva de direitos humanos. Saiba mais clicando aqui.