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Investimento em serviços de saúde reprodutiva, informação e empoderamento de meninas é fundamental para prevenir gravidez precoce

3 Fevereiro 2021
Serviços de saúde reprodutiva integrais e acolhedores são fundamentais na prevenção da gravidez precoce (Foto: Erick Dau/Banco de imagens UNFPA)

Nesta Semana Nacional de Prevenção à Gravidez na Adolescência, estabelecida pela lei nº 13.798/2019, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) alerta para a necessidade de oferecer serviços de saúde sexual e reprodutiva integrais, focados nessa faixa etária, e da importância da informação e do empoderamento como ferramentas de prevenção à gravidez precoce.

No Brasil, a cada mil adolescentes, 53 engravidam de forma precoce, de acordo com o último Relatório sobre a Situação da População Mundial, divulgado pelo Fundo de População da ONU no ano passado. Este índice apresentou ligeira melhora em relação ao relatório do ano anterior, de 2019, quando a taxa era de 62 a cada mil. Ainda assim, a média brasileira está acima do índice mundial, de 41 a cada mil. 

A gravidez não-intencional na adolescência muitas vezes se relaciona com trajetórias educacionais truncadas ou mesmo com o abandono escolar. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6 de cada 10 adolescentes grávidas não trabalham nem estudam. Desta forma, este fenômeno pode ter impacto nas trajetórias educacionais e profissionais, contribuindo para a perpetuação de ciclos intergeracionais de pobreza e desigualdade.

Conforme destaca o Fundo de População da ONU, é muito importante que seja fomentado um diálogo sobre saúde reprodutiva em todos os âmbitos, em casa, na escola e nos serviços de saúde. A população jovem precisa ter acesso a informações nítidas e confiáveis, bem como a serviços e insumos em saúde sexual e reprodutiva, que inclui a prevenção contra gravidez não intencional e infecções sexualmente transmissíveis.

Além disso, o empoderamento das meninas é extremamente importante. Mesmo com acesso a informações e aos métodos contraceptivos, por exemplo, elas podem sentir dificuldades em negociar com o parceiro o uso do preservativo. Por isso é preciso também promover a equidade de gênero, o empoderamento das jovens e a sensibilização dos rapazes para que se sintam co-responsáveis pelo cuidado e prevenção. 

Esse trabalho também deve ser feito junto à sociedade e instituições, para que sejam oferecidas oportunidades às garotas jovens. “Não há tempo a perder quando se trata de garantir que meninas e adolescentes possam exercer direitos e aproveitar oportunidades. Investir na prevenção da gravidez precoce é investir no desenvolvimento socioeconômico e sustentável. O futuro depende disso", afirma Astrid Bant, representante do Fundo de População da ONU no Brasil.