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Fundo de População da ONU visita a Fábrica Social, programa do GDF

2 Dezembro 2019
UNFPA Brasil/Thais Rodrigues
(Foto: UNFPA Brasil/Thais Rodrigues)

“São duas transformações. A primeira é transformar a matéria bruta em obra de arte, um móvel ou um objeto útil; a segunda é transformar a vida das pessoas”, disse Carlos Antônio Sales, instrutor de marcenaria do Programa Fábrica Social, que leva qualificação a pessoas de baixa renda e em situação de vulnerabilidade. A iniciativa, criada em 2013, funciona na região administrativa SCIA e Estrutural, no Distrito Federal e opera sob responsabilidade da Subsecretaria de Integração de Ações Sociais (SIAS), da Secretaria do Trabalho. Na última quinta-feira, 28, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) visitou o local para conhecer mais detalhes e estudar uma possível cooperação técnica. 

As duas instituições apresentaram seus projetos e puderam avaliar os pontos de convergência. O centro de profissionalização e capacitação Fábrica Social possui mais de 80% do público de mulheres com idade entre 29 e 40 anos em todos os cinco cursos disponíveis -- construção civil; confecção de vestuário; instalação e manutenção de sistemas fotovoltaicos; jardinagem e cultivo de alimentos --, que são disponíveis devido a outras parcerias como com embaixadas, Sistema S, sindicatos e empresas. 


Instrutor de serigrafia Betuel Santos (Foto: UNFPA Brasil/Thais Rodrigues)

Atualmente, 876 pessoas com baixa renda estão sendo capacitadas em um programa de cerca de um ano, dividido em módulos de 80h. Os e as cursistas recebem uma bolsa auxílio (bolsa transporte + alimentação) para completar sua formação. O instrutor de serigrafia Betuel Santos acredita que, apesar de ser um ponto muito importante para os e as estudantes, a bolsa auxílio não pode ser o único fator de motivação para continuar no programa. “É uma oportunidade de aprender muitas coisas, participar de todo o processo da indústria do vestuário, desenhar, entre outras coisas. Então, os estudantes devem pensar na sua qualificação profissional”, relata.

Segundo a Subsecretária de Integração de Ações Sociais, Thereza de Lamare, a experiência do UNFPA em saúde sexual e reprodutiva pode possibilitar às estudantes do programa uma consciência maior dos seus direitos. “Temos muitas mulheres iniciando sua vida sexual e muitas outras já com os seus parceiros, algumas relatam casos de violência de gênero, então empodera-las dos seus direitos é fundamental para que possamos construir um ambiente seguro.”


Junia Quiroga e Thereza de Lamare (Foto: UNFPA Brasil/Thais Rodrigues)

O UNFPA é a agência das Nações Unidas, presente em 150 países, que lida diretamente com essas temáticas e colabora com governos e parceiros para promover o acesso universal a serviços integrados de saúde sexual e reprodutiva de qualidade. Com diferentes instrumentos de cooperação, é possível que os diversos suportes técnicos do UNFPA estejam disponíveis para ofertar um apoio na execução de políticas e diretrizes voltadas à promoção dos direitos humanos, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Para a representante auxiliar do UNFPA no Brasil, Júnia Quiroga, a Fábrica Social tem potencial transformador no sentido de integrar diferentes elementos nas oportunidades ofertadas, em particular para as mulheres e jovens em situação de vulnerabilidade. “A Fábrica alia qualificação profissional a processos de empoderamento e protagonismo, os quais vão ao encontro do mandato do UNFPA e, nesse sentido, com uma parceria podemos avançar na prevenção de situações de violência, no aprimoramento dos cuidados e informações em saúde reprodutiva, no engajamento em processos participativos, dentre outros interesses comuns”, avaliou.