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Formação sobre violência de gênero é feita a pedido de mulheres migrantes e refugiadas

22 Agosto 2019
Mulheres criaram "árvore da violência" em oficina do UNFPA (Yareidy Perdomo/UNFPA Brasil)

Na última quarta-feira, 14, foi realizado um encontro de discussão e formação sobre violência baseada em gênero dentro do abrigo da Operação Acolhida Rondon 1, em Boa Vista. Atividade foi uma iniciativa da ONU Mulheres, Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e Associação de Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI) no âmbito do LEAP (Liderança, Empoderamento, Acesso e Proteção para Mulheres Migrantes e Refugiadas), projeto financiado pelo governo de Luxemburgo. 

 

O encontro fez parte de uma programação que acontece todas às quartas-feiras, no espaço seguro coordenado pela ONU Mulheres no abrigo Rondon 1, em Boa Vista, e surgiu como construção compartilhada de um grupo de mulheres migrantes e refugiadas. Na oficina, o UNFPA propôs a construção de uma “árvore de violência”, para que as mulheres pudessem, a partir de seu próprio conhecimento e vivência, identificar as causas, consequências e os fatores condicionantes da violência de gênero, assim como as diversas formas como essas violências se manifestam.  

 

“Foi uma atividade bastante produtiva, na qual pudemos perceber, a partir da árvore produzida, que as mulheres presentes têm um profundo conhecimento acerca dos fatores causadores da violência baseada em gênero, mas nem tanto sobre as consequências. A ideia é que essa árvore se transforme em um produto de informação e comunicação dentro dos espaços compartilhados pela própria comunidade, para que homens e mulheres possam entender acerca do tema”, afirma a especialista em Violência Baseada em Gênero do UNFPA em Roraima, Patrícia Melo.

 

“A metodologia foca em trazer uma construção de perspectivas e de sonhos a partir do olhar delas para uma vida futura, com o objetivo de fortalecer a resiliência comunitária e o senso de pertencer a um grupo das próprias mulheres participantes”, completa.

 

“Esses espaços oferecem a oportunidade de que mulheres migrantes e refugiadas se engajem umas com as outras, troquem experiências, construam conexões, solidariedade, e discutam suas necessidades dentro desse contexto humanitário. Com isso, buscamos também uma forma de garantir a segurança física e emocional, bem como o empoderamento para a participação delas na resposta humanitária”, explica a gerente de projetos da área de Liderança e Participação em ação humanitária da ONU Mulheres em Roraima, Tamara Jurberg.

 

O Fundo de População da ONU tem sido parte de diferentes ações que envolvem respostas especialmente feitas para atender demandas específicas solicitadas pela população dos abrigos, sempre com foco na promoção da saúde sexual e reprodutiva e na prevenção e resposta à violência baseada em gênero.