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A esperança de um jovem atleta

18 Junho 2019
Para se distrair dos obstáculos que sua família enfrentava, Roberth aprendeu a fazer origami, a jogar xadrez e rúgbi (Foto: UNFPA Brasil/Fabiane Guimarães)

Roberth Anzoategui, de 17 anos, jogava beisebol em uma academia da Venezuela e estava a dois meses de assinar um contrato profissional quando sua vida tomou rumos inesperados. A casa onde ele morava com a mãe, o pai e os dois irmãos foi alvo de um assalto à mão armada, a família teve todos os seus pertences roubados e foi ameaçada de morte -- para sobreviver, precisou fugir. Roberth entende todas as circunstâncias, agora, mas antes não entendia. Quando chegou em Pacaraima, cidade na fronteira entre Venezuela e Brasil, em outubro de 2018, o adolescente encontrou conforto no atendimento do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), cujos especialistas logo notaram: tratava-se de um garoto muito, muito inteligente.

Para se distrair dos obstáculos que sua família enfrentava, Roberth aprendeu a fazer origami, a jogar xadrez e rúgbi. Organizou torneios de futebol e venceu uma competição de corrida. Presença constante no Espaço Amigável, sala onde a equipe do Fundo de População das Nações Unidas promove atendimentos em Pacaraima, aprendeu a reconhecer a violência contra a mulher por meio de um folder informativo. Tanto que encontrou um flagrante no próprio alojamento temporário onde estava. Ao perceber uma jovem de 20 anos sendo agredida pelo padrasto, Roberth se lembrou do que havia lido e acionou os especialistas do UNFPA.

“Falei para ele que não fizesse isso. Fiquei um pouco com medo porque não sabia o que ele podia fazer, mas deu certo”, conta, orgulhoso. O adolescente também participou de palestras e rodas de conversa e rememora a equipe do Fundo de População das Nações Unidas com carinho . “Quando cheguei no Brasil, não tinha nenhuma autoestima. Eles me deram esperança”, diz. 

Hoje, Roberth termina o ensino médio em uma escola de Boa Vista, em Roraima. No abrigo onde vive com a família, dá aulas de rúgbi para crianças, ensinando, em suas palavras, “o pouco que sabe”. Pretende prestar o vestibular e tentar uma vaga em alguma universidade pública do Brasil. O seu futuro é, como ele e seus diversos interesses, um caminho de muitas possibilidades. “Tenho uma confusão dentro da minha cabeça. Quero ser engenheiro civil, mas sempre consegui coisas boas com o esporte, então também penso em ser atleta”, divide-se, com o peito inflado. Cheio de esperança. Roberth e sua família  continuam frequentando o Espaço Amigável do UNFPA em Boa Vista.