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Especialistas discutem sobre importância dos dados e da tecnologia no contexto de pandemia e pós-pandemia

25 Novembro 2020
O painel na Semana de Inovação reuniu vários especialistas e contou com a mediação da representante do UNFPA, Astrid Bant (Reprodução)

A pandemia da Covid-19 trouxe incertezas em todas as áreas e vem exigindo ainda mais informações atualizadas e confiáveis para o desenvolvimento de políticas públicas. Ao mesmo tempo, a compreensão das tendências populacionais e as suas consequências para os países estão fortemente interrelacionadas com o desafio de pensar o mundo no contexto atual.

Diante deste cenário, o Fundo de População da ONU e especialistas discutiram em painel, na última terça-feira, 17, sobre tendências populacionais, dados e políticas públicas. O painel de discussão aconteceu durante a Semana de Inovação e foi organizado pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap), com apoio do UNFPA.

Sob coordenação da representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant, o painel de discussão reuniu cerca de 70 pessoas e foi discutido sobre as tendências demográficas mais recentes para o Brasil e para o mundo, além disso, debateram sobre o desafio da produção e uso de dados populacionais para o desenvolvimento de políticas públicas.

“O desenvolvimento de políticas públicas, que transformam a vida das pessoas e nos ajudam a superar a crise que estamos vivendo, precisam estar ancoradas em evidências concretas. Estas, por sua vez, dependem diretamente da produção de dados e informações de qualidade confiáveis e atualizadas. Dados e informações são essenciais para o alcance do monitoramento das agendas internacionais, como a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e o Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento”.

Rachel Snow, chefe da Divisão de População de Desenvolvimento do UNFPA, traz exatamente a perspectiva mundial sobre tecnologia e produção de dados: “Na década em que estamos, especificamente no censo 2020, devemos mudar a forma como trabalhamos com os dados nos censos. Existem vários países desenvolvidos que estão trabalhando com georreferenciamento em seus censos, o que significa que os governos terão dados muito refinados quando começarem a implementar isso, mas ainda não é a maioria dos países que o fazem”.

O contexto da pandemia mudou as metodologias de trabalho de centros estatísticos de vários países, segundo o diretor de Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Eduardo Rios Neto, “a pandemia afetou a coleta de dados do IBGE. Todo o instituto passou a trabalhar de forma remota, e o grande desafio era saber como manter a regularidade na produção de dados”. Eduardo complementa: “Hoje a gente vê, que vários institutos de pesquisa da América Latina, e em vários lugares do mundo, tiveram que interromper parcialmente suas atividades”.

Ainda falando sobre a importância dos dados com recorte específico para a saúde, a professora de Demografia e Chefe do Departamento de Saúde Global e População de Harvard, Marcia Castro, observa que “para a gente poder ter uma política pública baseada em evidência, é preciso que a gente tenha dados com recortes para entender os determinantes sociais de saúde, entender as razões e as raízes das desigualdades, e portanto, desenhar políticas que abordem essas questões”.

Na última quarta-feira, 18, o UNFPA participou também do workshop ‘Como tornar os dados memoráveis, envolventes e inspiradores, usando desenhos animados, humor e jogabilidade séria’. Durante a sessão, foram exibidos exemplos de comunicação inovadora, que inclui desenho animado, narração de histórias, humor, improvisação e jogabilidade aliados ao uso de dados. 

Workshop

O workshop Como tornar os dados memoráveis, envolventes e inspiradores, usando desenhos animados, humor e jogabilidade séria, reuniu cerca de 100 pessoas, e foram apresentados exemplos de comunicações inovadoras. Dentre os exemplos, inclui-se cartuns, narração de histórias (storytelling), humor e improvisação. Cartunistas do The Cartoon Movement - plataforma colaborativa global para cartuns editoriais e quadrinhos jornalísticos - e do Cartooning for Peace - puderam mostrar e discutir cartuns que utilizam dados como uma forma de preencher a lacuna entre comunidades. A atividade foi moderada pelo Oficial de Programa Vinícius do Prado Monteiro.

 


Workshop discutiu como apresentar dados de forma inovadora (Reprodução)

 

Participaram do workshop: Sabrina Juran, assessora Regional para População e Desenvolvimento no UNFPA; Andrea Jones-Rooy, diretora de Estudos de Graduação no Centro de Ciência de Dados da Universidade de Nova York; Andrew Tarvin, CEO da Humor That Works; David Tarvin, palestrante na Texas A&M University no Departamento de Comunicação e Pablo Suarez, diretor associado de pesquisa e inovação no Red Cross Red Crescent Climate Centre.