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Designer e estilista, refugiada síria produz máscaras para distribuição à população vulnerável de SP. Ação é apoiada pelo UNFPA

27 Abril 2020
Hayam leva cinco minutos para confeccionar uma máscara (Foto: Arquivo pessoal)

Hayam Kasim estudava moda e francês em Damasco, na Síria, e estava a caminho de se tornar estilista profissional quando a guerra fez com que ela e sua família precisasse deixar o país. Há sete anos em São Paulo, sem falar português fluentemente e sem oportunidades de trabalho, ela e seus três irmãos foram surpreendidos com a pandemia da COVID-19. 

De uma forma que ela não imaginava, seus talentos agora estão sendo aproveitados para confeccionar máscaras de pano, que estão sendo distribuídas à população vulnerável de São Paulo por meio de um projeto encabeçado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Núcleo de Estudos Populacionais Elza Berquó (Nepo), da Unicamp, e apoiado pelo Fundo de População da ONU (UNFPA) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Hayam já fazia parte do coletivo Deslocamento Criativo, apoiado pelo Observatório das Migrações em São Paulo, quando foi convidada a confeccionar as máscaras de forma remunerada, junto a outras pessoas com habilidade de costura que fazem parte do grupo. A ideia do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Universidade de Campinas (Unicamp) é estimular a atividade profissional das pessoas migrantes e refugiadas ao mesmo tempo em que garante a proteção de outras pessoas em situação de vulnerabilidade. Já foram produzidas 2 mil máscaras, sendo distribuídas em abrigos para idosos, pessoas transexuais e para pessoas em situação de rua, entre outras.

“Com a pandemia, esse grupo que sempre fazia feirinhas para vender produtos por meio do projeto Deslocamento Criativo ficou sem trabalho. Esse projeto auxilia essas pessoas em um momento em que migrantes e refugiados estão em uma condição laboral crítica, ao mesmo tempo em que eleva o conhecimento de saúde pública. É uma medida de mão dupla, promove saúde e conscientização”, define a professora coordenadora do Observatório das Migrações em SP, do NEPO, Rosana Baeninger. 

Sentada à máquina de costura, Hayam leva cinco minutos para confeccionar uma máscara, que é produzida em tecido do continente africano. Sozinha, produziu 450 no último mês. “Eu posso fazer qualquer coisa. Esse é meu ramo”, orgulha-se. Com a pandemia, seu irmão perdeu o trabalho e o dinheiro levantado com o projeto é o que tem sustentado a casa. “O Brasil é meu segundo país e eu peço ajuda para voar de novo. Meu sonho é ser estilista e fazer moda”, afirma. 

Iniciativa valiosa

O Fundo de População da ONU vai custear mais uma leva de produção de mil máscaras junto ao projeto da Unicamp e do MPT. “Nós temos uma parceria de longa data com o NEPO e essa iniciativa vai ao encontro ao trabalho que já estamos fazendo para diminuir o impacto da pandemia entre as pessoas que são mais vulneráveis. Ela garante renda para esses artesãos e artesãs ao mesmo tempo em que proporciona o acesso à máscara e à prevenção a um maior número de outras pessoas”, observa a representante do UNFPA, Astrid Bant.

Uma campanha de doação também está em curso pela internet, com a hashtag #euabracoestacausa, para quem deseja contribuir com a ação e adquirir máscaras produzidas por pessoas como Hayam. Basta acessar o site da campanha aqui ou entrar em contato pelo WhatsApp: (11) 95777-8549.