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Com maior registro de HIV do Nordeste, Bahia discute saúde sexual e reprodutiva para adolescentes

10 Novembro 2018
O evento aconteceu nesta quarta-feira (7) e reuniu a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), o UNFPA , Unicef e representantes das secretarias de saúde de 20 municípios (Foto: UNFPA Brasil)

Um dos efeitos mais graves da epidemia de Aids no Brasil recaem sobre pessoas adolescentes. Entre 2004 e 2015, o número de novos casos entre meninos e meninas de 15 a 19 anos aumentou 53%. Entre 2007 e 2017, o estado da Bahia notificou um total de 7872 casos de infecção por HIV, o maior do Nordeste, de acordo com o Ministério da Saúde. 

Apesar de progressos terem sido observados na última década, a gravidez na adolescência continua alta no país. Além do alto índice de HIV, segundo o IBGE, cerca de 18% dos bebês que nascem no Brasil são de mães com 19 anos ou menos de idade. O evento Sexualidade e Adolescência: Desafios e Possibilidades na Contemporaneidade, realizado na quarta-feira (7) pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, trabalhou os desafios e as oportunidades para a garantia da saúde sexual e reprodutiva dos e das adolescentes. 

Ao participar das mesas “Panorama Geral da Saúde Sexual e Saúde Reprodutiva de Adolescentes” e “Direitos Sexual e Direitos Reprodutivos e Adolescência: onde estamos e onde queremos chegar”, o Fundo de População da ONU trabalhou questões relacionadas ao ordenamento legal, nacional e internacional, que garante direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes, como o Consenso de Montevidéu, de 2013,  e a Conferência Internacional de População e Desenvolvimento, de 1994. Além disso, debateu a importância da garantia desses direitos em sua plenitude, compreendendo as e os adolescentes em seus múltiplos contextos e potencialidades.

Segundo Raila Alves, assistente de programa do UNFPA no Brasil e que esteve presente no evento, as e os profissionais de saúde que trabalham na base são fundamentais para a efetiva garantia de direitos sexuais e de direitos reprodutivos de adolescentes e jovens. “Para isso, a quebra de estigmas e estereótipos em relação ao exercício das sexualidades é um passo importante para efetivação de direitos desses sujeitos, assim como a compreensão das diversidades de orientação sexual e identificação de gênero dessa população-chave”, afirmou. 

O debate contou com a presença de cerca de 30 pessoas no Hotel Vila Velha, em Salvador. Estiveram presentes, além de representantes das secretarias municipais de saúde de 20 municípios, o Unicef e membros da sociedade civil. As discussões giraram no reconhecimento e em estratégias para superar os desafios. Dentre as propostas estão educação, informação e construção de conhecimentos e habilidades que permitam que o adolescente ou a adolescente possa fazer escolhas que contribuam para o seu desenvolvimento saudável e para o cuidado de si e do outro, englobando habilidades individuais, afetivo-relacionais, familiares e comunitárias.