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Brasil continua sendo o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo, alerta relatório da sociedade civil

31 Janeiro 2020
Keila Simpson e Bruna G. Benevides da ANTRA visitaram o escritório do UNFPA em Brasília e apresentaram o relatório à representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant.(Foto: UNFPA Brasil/Giselle Cintra)

Segundo dossiê elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais, foram 124 pessoas assassinadas em 2019 

 

 

No mês da Visibilidade Trans, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) lançou nesta quarta-feira (29), o Dossiê dos Assassinatos e da Violência Contra Pessoas Trans Brasileiras. Em sua terceira edição, o documento chama atenção ao fato de o Brasil continuar sendo o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Em 2019, foram 124 mortes, seguido do México (65) e Estados Unidos (31), em um total de 74 países que reportaram.

 

Em visita ao escritório do Fundo de População das Nações Unidas, em Brasília, Bruna G. Benevides e Keila Simpson da ANTRA  apresentaram o relatório à representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant. “Lamentamos os assassinatos e outras formas de  violência que as pessoas trans são submetidas. É necessário empreender ações efetivas para que a segurança dessa população seja uma realidade. No contexto da Agenda 2030, não podemos deixar ninguém para trás, e isso também inclui a população LGBTI”, ressaltou Bant.


Ayune Soares, assistente para equidade de gênero, raça e etnia do UNFPA; Astrid Bant, representante do UNFPA Brasil; Keila Simpson, presidenta da ANTRA e Bruna Benevides, secretária de Articulação Política da ANTRA (Foto: UNFPA Brasil/Giselle Cintra)

 “Houve diminuição de assassinatos em 2019, em comparação com 2018, mas nenhuma ação foi realizada para impedir essas mortes, por isso, diminuição [nos números] não significa boa notícia. Seria boa se ninguém fosse assassinado e se todo mundo tivesse direito à saúde, alimentação, educação e emprego”, afirma Keila Simpson, presidenta da ANTRA. 

 

Em 2019, 82% das vítimas eram negras e apenas 8% dos casos tiveram suspeitos identificados. Pessoas trans do gênero feminino representam 97,7% dos casos e 64% dos assassinatos aconteceram nas ruas. Quanto à faixa etária das vítimas, o relatório aponta que a cada ano, a idade das vítimas é menor: caiu para 15 anos a idade em que travestis e transexuais têm aumentadas as chances de serem assassinadas.

 

“A gente continua nesse trabalho de inserção e de diálogo, para que esse estudo reverbere em diversas instituições e, com isso, ações possam ser feitas para melhorar e enfrentar esse cenário que põe o Brasil na liderança entre os países que mais assassina a população travesti e trans”, explica Bruna Benevides, secretária de Articulação Política da ANTRA. 

 

O documento está disponível para download: Dossiê dos Assassinatos e da Violência Contra Pessoas Trans Brasileiras 

Mapa 2020

 

Texto: Giselle Cintra