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Acesso a informações seguras e orientações de saúde para adolescentes são evidenciados em evento do UNFPA

16 Julho 2020
Assis Gabriel Pastorini criou essa ilustração especialmente para o encontro colocando foco na presença de mulheres negras na atividade (Ilustração: © Assis Gabriel Pastorini)

A segunda edição do Tá no Rumo: Traçando Caminhos ocorreu na última quinta-feira (09), e promoveu um debate amplo a partir do tema “Namoro na Pandemia”. O webinário realizado pelo projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná contou com a participação de adolescentes e profissionais da área da saúde e educação que debateram como a  pandemia tem mudado a dinâmica de relacionamentos entre adolescentes. 

Para a orientadora social, Edilaine Souza, a discussão sobre relacionamentos nesse período vai além das normas de isolamento e cuidados de prevenção a Covid-19. Edilaine Souza, que é estudante de pedagogia, salienta a importância ao acesso à informação. “Na minha experiência, quando estamos na adolescência alguns pais costumam sentar, explicar questões relacionadas às transformações que passamos. Mas a gente sabe que existe no contexto geral uma falta de informação e de acesso. E, quando falamos de prevenção, uma grande parte da população fica vulnerável”. 

O evento também teve a participação da ginecologista Giani Cezimbra, que trabalha há 15 anos com adolescentes, e é mestre em Ciências Médicas com enfoque em saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e violência sexual. “Na adolescência percebemos diferentes modelos de relacionamentos, pois essa fase é um momento de autoconhecimento, e de conhecimento do outro. Isso se reflete nos relacionamentos variados que eles experimentam. Mas isso durante a pandemia não pode acontecer. A exposição é grande, seja em relacionamentos estáveis ou não, o ideal é que não se beije na boca nesse período, por exemplo, porque é a via de maior transmissão”, informou. 

Essa é uma das preocupações vividas nesse período pelo adolescente Assis Gabriel Pastorini. “Desde que começou a pandemia eu não saí de casa para ver ninguém. Então tem sido bem complicado ficar em casa”. A forma que Assis Gabriel achou para continuar se comunicando foi intensificar a produção de suas artes, ele que é estudante e ilustrador criou uma obra especialmente para o encontro colocando foco na presença de mulheres negras na atividade. “A minha arte ainda é a maneira como posso estar presente em vários lugares”, afirmou o estudante.

A percepção do jovem ilustrador foi confirmada durante o evento por gerar uma discussão transversal sobre vários temas, incluindo a dinâmica racial. Cintia Cruz, coordenadora local do projeto Prevenção e Redução da Gravidez Não Intencional na Adolescência nos Municípios do Oeste do Paraná, pontuou o racismo como outro indicador social da pandemia. “A cada 10 meninas que engravidam no Brasil, 7 são negras. Quando a gente pensa o contexto do isolamento são várias as questões, e dentre deles está o contexto da violência doméstica, onde as meninas negras são a grande maioria nesses números”. Cintia Cruz ainda sinalizou que “o racismo implica uma série estereótipos sociais para invisibilizar corpos negros desde a infância. E a nossa tarefa é abordar esse racismo estrutural para que a gente aprenda enquanto pais, educadores e educadoras não reproduzir essas situações e mudar essa realidade.” 

Para a adolescente Gyulia Alves Ferreira dos Santos, participante do movimento negro, Mestre de Cerimônia/Rapper (MC) e trancista, a pandemia é demarcada por vários sentimentos, como a ansiedade. “Tenho tentado viver essa experiência com calma, porque a ansiedade não leva a lugar nenhum. E ficar dentro de casa tem sido muito difícil pra mim, parece que estou numa bolha, só que ao mesmo tempo eu respeito para poder cuidar da minha família”. E acrescenta, “a solidão da mulher negra é muito real, ainda mais durante a pandemia. Nós temos um histórico de falta de acesso para lapidar um pensamento de autocuidado”. A mediação do webinário foi realizada por Anna Cunha,  Oficial de Saúde Reprodutiva e Direitos do UNFPA. 

 

Autocuidado para elas

O terceiro webinário da série Tá no Rumo: Traçando Caminhos acontece na próxima quinta-feira (16/07), 15h. O evento terá transmissão pelo canal do Youtube do UNFPA Brasil: https://youtu.be/qrA22vIDp1g. 

E o webinário também disponibiliza certificado de participação e para solicitar basta se inscrever previamente: https://bit.ly/2ZdY1y0