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Acesso à internet é um dos maiores desafios enfrentados por estudantes no Brasil

Em evento virtual promovido pelo UNFPA e ABEP, especialistas foram convidados para discutir sobre os desafios da educação no contexto da pandemia e pós-pandemia

O Fundo de População das Nações Unidas, em parceria com a Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP) promoveu na última quarta-feira (16/09), a 21ª edição da série de webinários População e Desenvolvimento em Debate, com o tema Desafios da educação no contexto da pandemia e pós-pandemia. O evento virtual foi mediado pela oficial de Programa do Fundo de População das Nações Unidas, Gabriela Monteiro.

Assista esse debate na íntegra

 

Uma das primeiras medidas para evitar a disseminação do novo coronavírus foi a suspensão de atividades em creches, escolas e universidades. Algumas instituições de ensino tiveram que se reinventar para seguir com as atividades a distância. Vídeoaulas, transmissões ao vivo, exercícios online, entre outros mecanismos foram e estão sendo utilizados como forma de manter educadores e estudantes ativos nos processos pedagógicos de aprendizagem. Para grande parte dos estudantes brasileiros, no entanto, a realidade tem sido mais complexa. 

Durante o período da pandemia, um dos grandes desafios enfrentados por estudantes brasileiros que vivem em situação de vulnerabilidade é o acesso à internet. Para a pesquisadora da educação e professora adjunta da Universidade Federal do Paraná, Raquel Guimarães, “manter os alunos estudando durante a pandemia da Covid-19 impõe graves desafios nunca antes vistos no Brasil. Mais de 47 milhões de estudantes estão fora da escola em isolamento e a conexão à internet não atinge os domicílios vulneráveis. As autoridades locais devem fornecer alternativas para facilitar o aprendizado remoto”.

 

 

Raquel também compartilhou uma pesquisa feita pelo Learning Policy Institute que sugere formas de recomeçar as aulas e reinventar as escolas em um cenário pós-pandemia:

  • Fechar as divisórias digitais
  • Fortalecer o ensino a distância e híbrido
  • Avaliar as necessidades dos alunos de forma personalizada
  • Garantir suporte para aprendizado social e emocional
  • Redesenhar escolas para forte relações entre comunidade escolar
  • Enfatizar aprendizado autêntico e culturalmente sensível
  • Prover tempo de instrução estendido para compensar o tempo fora da escola
  • Estabelecer escolas comunitárias e apoio da comunidade
  • Preparar educadores para reinventar escolas pós-pandemia
  • Alavancar financiamento escolar mais adequado e igualitário

Daniel Cara, professor da Universidade de São Paulo e dirigente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, trouxe para a discussão, uma perspectiva com foco nos direitos. “Mesmo se nós não estivéssemos enfrentando essa crise da pandemia de Covid-19, é importante ressaltar que a educação é um direito que está escrito no artigo 205 da Constituição Federal de 1988 e na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948”.  

O professor da Faculdade de Educação da USP alerta para as vozes que devem ser escutadas pelos formuladores de políticas públicas da área da educação: “As políticas públicas para a área da educação devem ouvir, essencialmente, as ciências da educação, em especial a pedagogia, mas também precisa ouvir a experiência dos professores de sala de aula, ou seja, precisa valorizar aquilo que acontece na sala de aula, até porque o processo de ensino e aprendizado é um processo extremamente rico e complexo”.  

Em consonância com Daniel Cara, a articuladora de Juventude da Rede de Protagonistas em Ação (REPROTAI), Tatiane Anjos, aponta que a lei deve funcionar para todas as pessoas, incluindo, principalmente, as comunidades que possuem maior dificuldade no acesso à educação: “educação é um direito constitucional, então a gente precisa monitorar essa lei e garantir que o acesso à educação chegue na ponta, principalmente nas comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e na área rural”.

Tatiane Anjos também apontou para comunidades periféricas do país. “Se a gente não tiver um retorno às aulas de qualidade, com merenda digna, segurança e informação, a gente não consegue garantir o acesso dessas pessoas nas escolas”.  Para estimular a reflexão e sensibilizar o público sobre a realidade do país por meio da arte, Tatiane convidou Taciane Campos, articuladora da REPROTAI, para recitar uma poesia durante o evento. Confira abaixo a poesia Eduleveza

Eduleveza ou seja educação e leveza, para amenizar a pressão que está acontecendo.

O mundo mudou, a COVID 19 se manifestou, tirando o aconchego da coletividade, também alterando o processo da educação, mantendo nós distante meu irmão. Mas também veio aproximar pessoas que se mantia distante, fez nós exergar a importância de um abraço.

Oh mainha! Quero ir à escola, que saudades.

É, uma doença tão pequena, que some nos olhares, mas fez entender a importância da vida.

Oh, mainha! Quero ir à escola, tenho saudade.

Saudades da minha professora, amigos e até mesmo da merenda.

As lágrimas escorrem no rosto de um corpo que não se encaixa nos padrões do isolamento.

Tenho medo, mas sei que a nossa fé é a vacina, mas não se esquecendo de lavar as mãos com água e sabão.

Oh mundo, desculpa, você está doente, por causa de nós

E mesma assim,algumas pessoas desacreditam,fazendo famílias e amigos chorarem, por alguém que desencarnou.

Eduleveza,agradeço a participação dos professores que formaram os heróis com muito amor,uma profissão que vem do anonimato,Que nem sempre é valorizado, esse são os protetores da vida(Médicos,enfermeiros e outros) Educação sua participação é tão importante, para curar esse mundão.

 

Autora: Tacynha Breezy