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“Nós queremos que as mulheres tenham direito de escolha”, diz vice-presidente de ONG contemplada pelo edital Nas Trilhas de Cairo

22 Fevereiro 2021
Mulheres participam de curso de artesanato e capacitação promovido pela ONG Ágatha antes da pandemia (Divulgação/ONG Agatha)

Por Fabiane Guimarães
 

Há sete anos, a organização Ágatha promove atendimento psicossocial e jurídico em Sergipe. Com apoio do Fundo de População da ONU, instituição está aperfeiçoando seus processos de gestão

 

A estudante de psicologia Valéria Santos, de 33 anos, cresceu presenciando a mãe sofrer violência doméstica por parte de seu pai, em Sergipe. Mais tarde, ao tomar conhecimento dos sofrimentos de tantas outras pessoas, Valéria pensou que a vida não podia ser apenas isso. Que as mulheres não deveriam sofrer, ou ter uma trajetória única. Já adulta, pensou que queria fazer algo a respeito. Hoje, Valéria é vice-presidente da ONG (Organização Não-Governamental) Ágatha, ao lado da assistente social Talita da Silva, que ocupa a presidência. A instituição oferece há sete anos serviços como atendimento psicossocial e jurídico para mulheres que sofrem violência de gênero em Aracaju e atividades de conscientização sobre tráfico humano.

Por seu trabalho de acolhimento e prestação de serviços junto à comunidade, principalmente às mulheres sobreviventes de várias formas de violência, a ONG Ágatha foi uma das contempladas pelo primeiro edital “Nas Trilhas de Cairo”, uma iniciativa pioneira do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) em apoio a projetos da sociedade civil, recebendo o suporte de R$ 56 mil para fortalecer sua ação estratégica e de advocacy.

Para Valéria, o apoio do edital foi fundamental. A ONG, que começou em 2015 com atividades educacionais dentro de presídio feminino, sobrevivia desde então com repasses de apoio a projetos e outros recursos conseguidos com dificuldade. Com muito esforço, apoio de voluntários e parceria com universidades, a instituição conseguiu abrir um espaço físico de acolhimento para mulheres em situação de violência, oferecendo não apenas atendimento psicossocial e orientação jurídica, mas também atividades e cursos profissionalizantes. Em 2020, no entanto, com a pandemia da Covid-19, enfrentaram graves dificuldades financeiras, sendo obrigadas a fechar o espaço e passar a atuar online.


Valéria (à esq.) ao lado de Talita, na celebração do aniversário de seis anos
da organização

A proposta submetida pela Ágatha e aprovada pelo UNFPA foi de utilizar os recursos recebidos para aprimorar os processos de gestão, contratar uma equipe especializada em captação de recursos, investir em comunicação e comprar equipamentos como computadores. Também será possível, em breve, reabrir o espaço de apoio. “O diferencial deste edital é que ele foi construído com muita sensibilidade, entendendo que as organizações da sociedade civil sofrem com falta de recursos, inclusive equipes. Sem gestão, a gente não consegue avançar. Com o apoio, estamos arrumando a casa para receber o que vai vir”, explica. “É um pontapé para tantos sonhos que vamos realizar.”
 

Sonhos que Valéria e Talita têm de sobra. O objetivo é empoderar e permitir que mais mulheres tenham a possibilidade de reerguer suas vidas, não importa a situação pela qual estejam passando. Desta forma, ao fortalecer a operação da organização como uma entidade sólida, o edital Trilhas de Cairo também contribui para que o resultado seja alcançado na ponta. “A mulher tem o direito de ter oportunidades e de sonhar também. Elas precisam ter o direito de escolha”, conclui Valéria.

Saiba mais sobre o edital “Nas Trilhas de Cairo” aqui.