A mortalidade materna continua sendo um grande desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. No país, os indicadores são especialmente preocupantes nas regiões Norte e Nordeste. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), nove em cada dez mortes de gestantes e puérperas poderiam ser evitadas com medidas eficazes de prevenção e cuidado, reforçando a importância da capacitação de profissionais de saúde.
Para contribuir com esse enfrentamento, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e o Campus Virtual Fiocruz lançaram o curso “Assistência ao parto: ênfase nas distocias e principais causas de morbimortalidade materna”. Online, gratuito e com carga horária de 60 horas, o curso é destinado especialmente a profissionais de saúde, mas está aberto ao público em geral.
Qualificação para salvar vidas
O objetivo da formação é atualizar sobre temas críticos como distocias, hemorragias, infecções e síndromes hipertensivas — principais causas de mortes maternas e neonatais —, fortalecendo a qualidade da assistência obstétrica e protegendo a vida de mulheres e recém-nascidos.
“Apesar dos avanços, os índices de morbimortalidade materna no Brasil permanecem elevados, sobretudo em regiões vulneráveis e entre mulheres em situação de maior fragilidade social. Muitas dessas mortes são evitáveis com tecnologias já disponíveis. A qualificação de profissionais que atuam diretamente na assistência é uma das estratégias mais eficazes para reduzir esses indicadores e salvar vidas”, destacou a pesquisadora da Fiocruz e coordenadora acadêmica do curso, Maria do Carmo Leal, referência nacional na saúde materno-infantil.
Parte de uma iniciativa maior
O curso faz parte da “Formação de Profissionais do SUS em Saúde da Mulher”, realizada pela Fiocruz Amazônia com o UNFPA, no âmbito do projeto Poderosas da Amazônia, desenvolvido em parceria com a Embaixada da França. A iniciativa combina resposta emergencial e fortalecimento de capacidades locais, com foco na autonomia coletiva e na proteção de mulheres e meninas em situação de maior vulnerabilidade.
Além dessa formação aberta ao público, a iniciativa contempla capacitações presenciais e híbridas em maternidades, unidades básicas de saúde e junto a Agentes Comunitários de Saúde (ACS) no Amazonas e em Roraima.
“Essa iniciativa faz parte dos esforços do UNFPA, em parceria com os governos estaduais e municipais da região Norte, a fim de fortalecer as capacidades locais e qualificar a resposta voltada à redução da mortalidade materna e infantil”, enfatizou Caio Oliveira, Oficial de Programa para Resposta Humanitária do UNFPA.
As atividades abordam urgências e emergências obstétricas, planejamento reprodutivo, aconselhamento pré-natal e prevenção da gravidez na adolescência, buscando ampliar o acesso a serviços de qualidade e reduzir desigualdades regionais.
Estrutura do curso
O curso é dividido em cinco módulos:
- Evolução da obstetrícia e etapas da assistência ao parto
- Tipos de parto e o papel das distocias
- Hemorragia obstétrica
- Infecções no ciclo gravídico-puerperal
- Síndromes hipertensivas na gestação
Cada módulo conta com aulas sobre prevenção, diagnóstico e manejo clínico das complicações obstétricas mais frequentes.
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Com informações de Isabela Schincariol, do Portal Fiocruz.
