Iniciativa do UNFPA e parceiros reúne lideranças, pesquisadoras e profissionais indígenas para fortalecer a Educação Integral em Sexualidade nos territórios
Olinda, Pernambuco - A cidade de Olinda sediou, entre 24 e 27 de novembro de 2025, a oficina “Meu corpo-território, nossos direitos: construindo o guia sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos de indígenas jovens”. O encontro teve como objetivo a construção do guia que atenda a demandas levantadas por mulheres e jovens indígenas e apoie profissionais, em grande parte indígenas, que atuam na promoção da saúde sexual e da saúde reprodutiva em seus territórios.
A atividade foi realizada em parceria pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA),a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), pesquisadoras da Universidade de Birmingham (UoB) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e com a colaboração do Grupo Curumim.
A oficina integra um processo de consulta iniciado em julho de 2025 com lideranças da saúde e educação de povos indígenas da região. O material será culturalmente sensível e voltado às necessidades de adolescentes e jovens indígenas, fortalecendo também a implementação da Educação Integral em Sexualidade (EIS).
Utilizando metodologia participativa, o guia foi co-produzido por meio de discussões e sessões de consulta ao longo de três dias. Para Anna Cunha, Oficial de Programa para Saúde Sexual e Reprodutiva e Direitos do UNFPA, “a Educação Integral em Sexualidade promove informação de qualidade, autonomia e capacidade de tomar decisões seguras e responsáveis, sendo fundamental para acelerar o cumprimento da Agenda 2030. Para povos indígenas, ela fortalece o acesso a direitos e reduz barreiras históricas que afetam sua saúde e bem-estar”..
A atividade também incluiu resultados preliminares do projeto de pesquisa “Construindo Justiça Reprodutiva com Mulheres Indígenas do Nordeste do Brasil”, financiado pelo AHRC/UKRI, apresentados pelas professoras Atina Krajewska (UoB) e Carina Calabria (UFPE)
Além disso, as pesquisadoras Elisa Urbano Ramos Pankararu e Maria Roseane Cordeiro de Oliveira Xukuru de Ororubá (UFPE) conduziram uma escuta com lideranças presentes e a leitura da Carta de Olinda, documento que reúne diagnóstico territorial e reivindicações prioritárias sobre direitos sexuais e reprodutivos das e dos indígenas participantes da oficina.
Para Ane Xukuru, os altos índices de gravidez infantil de meninas indígenas apontam para uma urgência na discussão do tema. “É urgente porque crianças não devem ser mães, é urgente porque muitas vezes essas gestações são decorrentes de violências, é urgente porque, entre nós, existem ainda muitas crianças e mulheres que não conhecem o próprio corpo”, reforçou Ane.
Bia Fioretti, consultora especialista do UNFPA responsável por liderar a metodologia de construção do guia, seus conteúdos e artes, apresentou versões preliminares do material e coordenou as atividades que orientaram o processo de consolidação participativo ao longo da oficina. Representantes do Ministério Público Federal, do Governo de Pernambuco, da Prefeitura do Recife, além de pesquisadoras(es) e ativistas, acompanharam o encerramento, reconhecendo a importância do processo colaborativo.
